Durante o período de isolamento causado pela pandemia, o vocalista João Gordo (Ratos de Porão) e o guitarrista Antonio Araújo (Korzus,... Lockdown: «Adoramos Portugal, seria incrível se pudéssemos subir aos palcos portugueses»

Durante o período de isolamento causado pela pandemia, o vocalista João Gordo (Ratos de Porão) e o guitarrista Antonio Araújo (Korzus, Matanza Ritual) decidiram colocar em prática um antigo desejo: fazerem um projecto musical juntos. Aproveitando o momento de isolamento social, criaram Lockdown, banda de death/thrash metal que conta com o baixista Rafael Yamada (Claustrofobia, ex-Project 46) e o baterista Bruno Santin (Endrah). A banda já lançou dois singles pela Blood Blast, subsidiária digital da editora alemã Nuclear Blast, e o EP “Unholy Ceremony Heretic” tem data de lançamento em Fevereiro.

A Metal Hammer Portugal conversou com o guitarrista e idealizador dos Lockdown, que explica como surgiu a ideia do projecto: «O ócio criativo da quarentena foi bastante produtivo para mim. Sempre fui um compositor contumaz… E com tanto tempo dentro de casa, acabei por ficar muito tempo com a guitarra nas mãos. Mostrei ao Gordo duas ideias iniciais de músicas e ele gostou muito. Daí tive a ideia de convidar o Bruno Santin, que é um baterista excepcional. E ele criou e gravou as baterias de forma ímpar. A ideia desde o início era que fôssemos uma banda de temática anti-religiosa. Com um som brutal cheio de influências de death metal e crossover.» Para definir o line-up deste supergrupo, Antonio disse-nos que foi rápido, pois naquele período estavam todos fechados em casa. Inicialmente, os Lockdown contavam com o baixista dos Krisiun, Alex Camargo, que infelizmente não pôde continuar no projecto. Então, Antonio decidiu chamar Rafael Yamada para compor a equipa. «Ele é um baixista incrível, que tem uma presença de palco violenta!»

Os Lockdown conseguram lançar o primeiro single pela distribuidora digital Blood Blast, subsidiária digital da editora alemã Nuclear Blast, uma conquista inesperada. «Foi uma notícia muito boa para todos nós. A dossa maquete chegou até ao pessoal da Blood Blast por intermédio dos nossos amigos da banda The Troops of Doom, que também fazem parte do catálogo. A receptividade foi imediata e surpreendente. Estamos muito felizes por podermos fazer parte, e vamos continuar a compor para mais lançamentos num futuro próximo.»

A inspiração do nome do grupo é uma alusão ao trancafiamento causado pela pandemia do coronavírus. Muitos artísticas souberam aproveitar o momento de caos para se criarem novos trabalhos e descarregar na arte toda frustração, mas se não fosse a pandemia talvez não tivéssemos Lockdown. «Eu e o Gordo sempre falámos sobre fazermos algo juntos um dia… Mas, realmente, Lockdown foi fruto da quarentena. Digamos que foi um dos poucos aspectos positivos de toda esta loucura.»

Sobre o som da banda, a característica passa por oferecer composições violentas, directas e rápidas, inspiradas no death, thrash e black metal. O guitarrista é o principal compositor, tanto na parte musical como nas letras. «Compus tudo em casa, no meu estúdio, e deixei o Bruno Santin livre para compor as linhas de bateria. O trabalho dele foi fenomenal e, certamente, engrandeceu muito as minhas composições. Cada um de nós gravou em casa… E o Bruno num estúdio de um amigo da sua cidade. A mistura e a masterização foram feitas pelo Rodrigo Oliveira (Dharma Studios), que também é baterista da minha outra banda Korzus. O resultado final surpreendeu-nos.»

«Já estou a preparar novas composições e a minha pretensão é gravar um longa-duração ainda em 2021.»

Antonio Araújo

As músicas são cantadas em inglês, algo que João Gordo não fazia há anos. Mas também tem uma música em português (que é o que chama atenção dos fãs no Brasil e em Portugal). Sobre compor em inglês, Antonio conta: «Foi assim que nasceu a primeira música… E o Gordo curtiu logo de caras! Eu até perguntei se ele queria fazer em português, e ele achou porreiro mantermos o inglês como língua principal neste projecto. Mas tinha que ter pelo menos uma na nossa língua-mãe. A música chama-se “Desprezo”. E é uma letra fortíssima sobre o desprezo ao pensamento religioso em geral. Quanto ao encaixe da voz, ele teve alguma dificuldade no início em relação aos tempos um pouco mais complexos do que o habitual nas músicas. Mas fez um belíssimo trabalho e a sua voz é inconfundível, icónica e continua com a mesma energia de sempre. Brutal!.»

Os Lockdown lançam o EP de estreia ‘‘Unholy Ceremony Heretic” em Fevereiro, em todas as plataformas digitais. «Não vejo a hora de mostrar tudo isto a todos! Os dois primeiros singles foram muito bem recebidos pelo público em geral.»

No Brasil, o EP é lançado em formato físico, em CD e vinil, com artwork feito pelo artista brasileiro Alcides Burn, mas por enquanto não há previsão para estes formatos noutros países. «Para já, apenas no Brasil. A versão física do EP ficará belíssima. Quanto a lançamentos físicos noutros países, ainda não temos nada programado!»

Quando o mundo se normalizar, a expectativa é voltar-se aos concertos, e podem esperar isso dos Lockdown. «O que está a acontecer de momento é que a possibilidade do projecto se tornar de facto uma banda e subir aos palcos é cada vez maior. Já estou a preparar novas composições e a minha pretensão é gravar um longa-duração ainda em 2021.» Por fim, os fãs e a imprensa portuguesa elogiaram muito o projecto e a mistura de estilos característicos de cada músico – a banda agradece todo o carinho dos fãs: «É um prazer enorme dar esta entrevista à Metal Hammer Portugal, e a minha gratidão aos headbangers de todo o mundo que nos têm dado apoio é enorme. Adoro Portugal, e seria incrível se pudéssemos subir aos palcos portugueses um dia.»