Cada vez mais conhecidos, os ucranianos Ignea têm em "The Realms of Fire and Death" o seu novo álbum de metal moderno que abrange... Helle Bogdanova (Ignea): «Sentimos que subimos de nível»

Cada vez mais conhecidos, os ucranianos Ignea têm em “The Realms of Fire and Death” o seu novo álbum de metal moderno que abrange vários campos sonoros, do prog ao death metal, passando por secções épicas, com o fogo como conceito principal. A Metal Hammer Portugal chegou à fala com a vocalista Helle Bogdanova que nos contou como tudo se processou e como aqui chegaram.

«Acreditamos que o nosso domínio dos instrumentos melhorou, simplesmente porque desde o último álbum fizemos digressões e tocámos muito mais.»

Helle Bogdanova

Como está escrito no press-release, fazer um álbum com o fogo como conceito principal era apenas uma questão de tempo, especialmente se olharmos para o nome da banda. Num disco dividido em três histórias, isto foi algo que começou a surgir apenas nos últimos dois anos ou pairava nas vossas cabeças há mais tempo?
O nosso compositor, o Evgeny [teclados], trabalha constantemente em novas músicas, por isso temas uma parte delas há um bom tempo. Mas foi no final de 2018 / início de 2019 que começámos realmente a juntar tudo, a escrever e a polir as letras. O que sabíamos desde o início é que queríamos um conceito, um álbum bem pensado. Para mim, era natural apresentar os principais temas quando escrevia a letra. Gradualmente, fiquei cativada pelo processo de construção de histórias e pela ligação das músicas a certas partes. Este álbum é a banda-sonora do livro de contos que escrevi. Ao mesmo tempo, este livro complementa o álbum e torna-o inteiro.
O que mais gosto é que há muito para falar quando se trata de “The Realms of Fire and Death”. Podemos dizer muito sobre cada música, como se encaixa no cenário de uma determinada parte e no álbum como um todo. É mais do que apenas música!

Ficámos impressionados com a evolução musical que demonstram neste disco, principalmente por causa dos arranjos electrónicos, refrãos cativantes e a tua incrível performance como vocalista. Quão satisfeita estás com este álbum e quão árduo foi chegar aqui?
Obrigado! Enquanto compúnhamos e gravávamos o álbum, parecia tudo diferente, porque desta vez pensámos em todos os pequenos detalhes. Também trabalhámos muito na fase de pré-produção, portanto este álbum foi realmente nutrido. Claro, também acreditamos que o nosso domínio dos instrumentos melhorou, simplesmente porque desde o último álbum fizemos digressões e tocámos muito mais. Não se trata apenas de talento, mas também de trabalho e experiência. É natural evoluir de álbum para álbum, e sentimos que subimos de nível. Felizmente, os nossos fãs também pensam assim.

O álbum é muito coeso e mostra uma grande dinâmica entre melodia e momentos brutais. No entanto, sentimos que “Gods of Fire”, “Jinnslammer” e “Disenchantment” são as melhores músicas. Será que as colocarias no vosso top enquanto criadores de música?
É sempre difícil escolher as músicas que mais gostamos, especialmente quando criam climas diferentes. Por exemplo, é difícil comparar a blackened death metal “Too Late To Born” com a balada acústica “What For”. Mas quando estávamos a escolher as músicas para os nossos vídeos, tínhamos uma certeza sobre “Disenchantment” e “Jinnslammer”. São as mais épicas, dinâmicas e são o ponto culminante deste álbum. “Gods of Fire” é uma música bastante interessante para nós, porque o Evgeny escreveu-a há 12 anos. É muito pouco sofisticada, mas gostamos muito de como saiu.
Portanto, respondendo à pergunta, sim, achamos que a parte final do álbum e essas três músicas estão no top. Mas achamos que cada ouvinte irá fazer as suas escolhas.

Devido à pandemia do Covid-19, estes são tempos difíceis para todos, e sabemos que as bandas estão a ter dificuldades para partilhar os seus novos álbuns porque, mesmo que haja Internet, não há salas e festivais para tocar. Como estão a lidar com isto e como prevês o futuro próximo?
Provavelmente, somos um pouco diferentes da maioria das bandas porque somos uma banda independente, mas com um número considerável de seguidores. Estamos em contacto muito próximo com os nossos fãs que nos apoiaram antes da pandemia. Por exemplo, os nossos patronos ajudaram-nos a financiar a produção deste álbum e de dois vídeos (um obrigado muito caloroso para todos!). E já temos muitas pré-encomendas do álbum e do merch, e estamos extremamente gratos.
No entanto, sentimos que a indústria da música está a sangrar e estamos ansiosos por fazer digressões. Já temos uma digressão agendada para meados de Julho / início de Agosto, e não sabemos se vai acontecer. Lado financeiro à parte, queremos muito conhecer os nossos fãs pessoalmente e apresentar o nosso álbum ao vivo.
Também estamos desgostosos por ver que salas, festivais, promotores e agências de booking estão a sofrer grandes perdas. É realmente insuportável e esperamos que tudo acabe brevemente. Por isso, fiquem em casa, lavem as mãos e mantenham-se seguros. É assim que podemos ajudar o mundo a curar-se e impedir que esse vírus se espalhe.