Ao lado dos Aborted, os Enthroned são das bandas belgas mais conhecidas e vieram ao Pike Studio, de Amarante, gravar o 11º álbum “Cold... Enthroned “Cold Black Suns”

Editora: Season Of Mist
Data de lançamento: 07.06.2019
Género: black metal
Nota: 3/5

Ao lado dos Aborted, os Enthroned são das bandas belgas mais conhecidas e vieram ao Pike Studio, de Amarante, gravar o 11º álbum “Cold Black Suns” com Carlos Ribeiro, seguindo depois a mistura para Jeremie Bezier e a masterização para o reconhecido Jaime Gomez Arellano. Outro pormenor passa pela bateria ser ocupada pelo português Menthor.

O tom cerimonial de “Ophiusa” (título relacionado ao território português) é um simulacro daquilo que acontece logo na seguinte “Hosanna Satana” que em pouco mais de dois minutos representa a raiva desenfreada do black metal veloz.

A velocidade desaparece com “Oneiros”, uma faixa desconchavada repleta de riffs meio perdidos (o que vai sendo reparado aqui e ali ao longo do álbum) e uma bateria de marcha militar que confunde ainda mais a composição. “Vapula Omega” prossegue a toada ritualista da anterior, mas desta vez com mais sumo e com um trabalho entre instrumentos mais coerente com enaltecimento para a técnica mecânica na bateria de Menthor, a fazer lembrar Hellhammer dos Mayhem.

Só à quinta “Silent Redemption” é que parece que os Enthroned encarreiram nos carris certos com uma composição atmosférica (tanto nas secções agressivas como nas calmas) rica em preenchimento de fundo e leads de guitarra na frente. Pelo meio avizinha-se um final apoteótico, mas infelizmente não passa de um aviso. Mesmo assim, é das melhores faixas do disco.

Como já deve ter dado para perceber, “Cold Black Suns” trata-se de um álbum de ritos e as abordagens a uma espécie de trance xamânico não podiam ser deixadas de fora, sendo que tal pode ser ouvido em “Aghoria”, uma faixa que será indicada para fãs de bandas como Rotting Christ.

A última “Son of Man”, que é um tema maioritariamente bom com momentos melódicos, personifica todo o álbum: os segmentos cativantes acabam por ser cortados por interlúdios arrastados e/ou dissonantes que obliteram a energia que estava a ser criada.