O álbum contém de tudo o que os fãs poderiam desejar: uma narrativa rica e muito bem construída, uma estrutura sonora... Vanden Plas “The Ghost Xperiment – Illumination”

Editora: Frontiers Records
Data de lançamento: 04.12.2020
Género: prog metal
Nota: 4/5

O álbum contém de tudo o que os fãs poderiam desejar: uma narrativa rica e muito bem construída, uma estrutura sonora muito bem produzida e orquestral, desempenhos de encher o olho e um metal progressivo fresco, inconfundível.

O multifacetado grupo alemão de metal progressivo Vanden Plas é uma das organizações mais inteligentes e criativas da indústria musical, com cada álbum a representar uma intensa e riquíssima narrativa com história, suspense e magistralidade musical garantidos. Na verdade, os icónicos mestres do progressivo foram-se tornando, ao longo dos anos, mais sinfónicos e orquestrais, providenciando um som mais grandioso, o que os diferencia das restantes formações do género. Neste ano de 2020, o quinteto de artistas lança a segunda e última parte do seu épico “The Ghost Xperiment” – desta vez, “Illumination” revela o final da história de Gideon Grace iniciada em “Awakening”.

As facetas teatrais aumentadas deste quinteto não são segredo para ninguém, com uma envolvência proactiva em grandes musicais de sucesso mundial, com profissionais de altíssimo respeito. Como tal, esse trabalho permite-lhes compor como mais ninguém, conseguindo intrometer os ouvintes num género musical que deixa os seus fãs, e outros, atónitos e à procura de mais. Neste “Illumination”, a grandiosidade não desvanece, prosseguindo o trabalho iniciado, sobretudo, desde 2006 com “Christ 0”. O grupo, desta feita, pretende contar uma história que deixou os ouvintes num impasse no final de “Awakening”. (Quase) todas as perguntas terão resposta num dos mais requintados contos fantásticos sobre fantasmas que há memória.

Na primeira parte, vemos um Gideon perturbado e triste, seguindo a narrativa esta tendência emocional. Ficámos num impasse de uma sessão espírita quando descobre que é atormentado por fantasmas e arma-se para os combater. Agora, na segunda parte, o impossível acontece! Gideon não é quem pensava ser, nem contém as características humanas que julgava possuir – todo o seu pensamento é controlado por deuses que imaginaram a sua forma espiritual naquilo que viria a ser Gideon. Novamente, os Vanden Plas rebelam-se e criam uma narrativa extremamente complexa fortemente apoiada por uma amálgama sinfónica cheia de vida e imparável, com o quinteto a exceder-se criativamente e a ter um desempenho realmente incrível. Os Vanden Plas contam uma história de expectativas, de falhanço e comiseração, mas também de vencer as impossibilidades e os obstáculos, usando como metáfora Gideon Grace, o fio condutor de que a luta e a perseverança tudo conquistam. No entanto, a banda não quer terminar num final feliz, como se a história de duas partes terminasse com tudo resolvido. O final é surpreendente com as faixas “The Ouroboros” e “Ghost Engineers” a concluírem um disco que acaba por nos deixar com um sabor agridoce na boca – não pela qualidade musical mas pelo final em aberto que o quinteto tão magistralmente cria.

Apesar de “Illumination” – e até a obra “The Ghost Xperiment” – não ter significado uma melhoria significativa face a lançamentos anteriores, como a obra-prima “Christ 0”, “The Seraphic Clockwork” ou até o muito bom “Chronicles of the Immortals”, a verdade é que nos dá uns Vanden Plas prontos para a batalha. Aliás, tal verifica-se com o trabalho imposto e demonstrado pelo colectivo neste fatídico ano de 2020. A carreira com mais de três décadas não parece querer parar, nem tal parece acontecer. O trabalho nesta nova história é bom – não é o melhor da banda, mas é um resultado sólido e de grande respeito por parte de uma das formações mais respeitadas do metal. O álbum contém de tudo o que os fãs poderiam desejar: uma narrativa rica e muito bem construída, uma estrutura sonora muito bem produzida e orquestral, desempenhos de encher o olho e um metal progressivo fresco, inconfundível e que deixa a pulga atrás da orelha de qualquer fã do bom e velho metal progressivo.