Em suma, “West End” conseguiu garantir aquilo que “Universal Monsters” não foi capaz de fazer. The 69 Eyes “West End”

Editora: Nuclear Blast
Data de lançamento: 13.09.2019
Género: gothic rock
Nota: 4/5

Juntos há 30 anos, os The 69 Eyes, também conhecidos como Vampiros de Helsínquia, representam a definição que eles próprios ajudaram a criar: goth n’ roll. Fundados em 1989, foi com o quarto álbum “Wasting the Dawn” (1999) que começaram a dar nas vistas, especialmente devido ao tema-título, que fica nos anais da história pelo vídeo em tons de crepúsculo azul e pela participação de Ville Valo, dos extintos HIM, banda que obteria sucesso mundial no ano seguinte com “Razorblade Romance”.

Depois surgiram dois álbuns de extrema importância no seio do gothic rock – “Blessed Be” (2000) e “Paris Kills” (2002), ouro e platina respectivamente na Finlândia. O estrelato, suportado por dois excelentes discos, estava garantido, o que se continuou a evidenciar com “Devils” (2004). “Brandon Lee”, “Dance d’Amour” e “Lost Boys” são, sem dúvida, os três temas mais icónicos de uma carreira com três décadas.

Seguindo-se um período de menos importância na cena, “Universal Monsters” (2016) prometia ser o regresso sonoro ao início do Séc. XXI, mas, e ainda que se tenham notado alguns resquícios disso, tal não aconteceu em plenitude. As baterias foram recarregadas e os planos repensados para que agora, em 2019, possamos testemunhar o reerguer dos vampiros finlandeses com este “West End”.

Carregar play. Baixo encorpado. Gutural demoníaco. Andamento contagiante. Assim é o início de “Two Horns Up”, um tema que não agarra de imediato mas que antevê coisas boas, nem que seja pela inclusão de Dani Filth (Cradle Of Filth) como convidado de honra, que fornece um contraste vocal entre si e Jyrki 69. “27 & Done” começa a fazer-nos regressar a 2002 com duelos melódicos entre piano e guitarra lead, valendo essencialmente pela ode ao Clube dos 27, mas é a terceira “Black Orchid”, mais um vez com um baixo muito presente, que nos faz eriçar os pêlos e pensar em “Dance d’Amour” e todo o seu glamour, muito à custa do piano introdutório, dos riffs mexidos e do refrão sensual.

As surpresas continuam com “Change”, uma faixa em tom de balada, num ritmo mais lento, que inclui um jogo de cordas e uma voz muito profunda por parte de Jyrki 69, dois artefactos que criam um ambiente melancólico e soturno. “Burn Witch Burn” e “Cheyenna” voltam, por sua vez, a incutir o hard-rock vampírico dominado pela energia contagiante das guitarras que se desdobram em rhythm e lead.

Com “The Last House On The Left” há espaço para mais um convidado: Wednesday 13, o famoso The Duke of Spook. Ora, com um tema movimentado e conceptualmente inspirado num filme de terror, nada melhor do que ter em cena esta personagem do horror-rock.

“Death & Desire” repõe o álbum em paisagens tristonhas com mais uma breve orquestração e com um lead emotivo que abre caminho para uma composição obrigatória de se ouvir quando o Sol nasce e a componente física de um vampiro está prestes a evaporar-se em cinzas. Contudo, “Outsiders” prova que “West End” é uma montanha-russa de emoções e sensações sonoras, fazendo agora com que nos sintamos a acelerar numa Harley-Davidson como se fôssemos um dos Rapazes Perdidos. O 12º álbum dos The 69 Eyes fecha ainda com a exótica “Be Here Now” e com a doomy “Hell Has No Mercy”, um método que vigorou em alguns discos anteriores.

Em suma, “West End” conseguiu garantir aquilo que “Universal Monsters” não foi capaz de fazer: reimprimir a sedutora sonoridade vampírica dos The 69 Eyes. Trinta anos depois, os finlandeses apresentam-se numa forma criativa e performativa invejável, sendo que o que mais salta à audição é a camaradagem musical, as experiências sonoras bem conseguidas e a voz sempre atraente de Jyrki 69.