ens de ideias fixas, que temem pelo futuro ao viver o presente, os Overdose Nuclear expressam a sua mensagem em português através de death/thrash... Overdose Nuclear: coragem avassaladora

Género: death/thrash metal
Origem: Brasil
Último lançamento: “Overdose Nuclear” (2019)
Editora: independente
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Entrevista e review: Diogo Ferreira

Jovens de ideias fixas, que temem pelo futuro ao viver o presente, os Overdose Nuclear expressam a sua mensagem em português através de death/thrash metal apunkalhado e descomprometido.

«Queremos provar a todos que é possível fazer metal em português visceral e de qualidade.»

Objectivos: «Como é o nosso primeiro álbum, queremos apresentar ao mundo o que é a Overdose Nuclear, e provar a todos que é possível fazer metal em português visceral e de qualidade. No Brasil, a maioria das bandas cantam em inglês, apesar da grande parte da população não falar nada do idioma, algo em torno de 95% dos mais de 200 milhões de habitantes. Estamos realmente a ir contra a corrente na questão das letras, e na questão musical as pessoas podem esperar um som old-school gravado em 2019 por jovens na casa dos 20 anos, um som autêntico e orgânico perfeito para embalar as nossas longas músicas cheias de reviravoltas.»

Ideologia: «Em pleno Séc. XXI tivemos que voltar os olhos novamente para a aniquilação global. Nunca tivemos tantos líderes populistas e loucos a governar nações. Sabem que há um gajo laranja na Casa Branca? No Brasil, um foi eleito prometendo legalizar armas para a população – um país que tem a taxa de homicídio de um país em guerra? Isso, ao lado do aumento da dependência da tecnologia. Não vemos mais o futuro como algo a ser sonhado, sim algo que para ser temido, um futuro claustrofóbico como se estivéssemos presos nas teias da destruição. Também fazemos duras críticas sociais e há umas boas doses de terror nas nossas letras.»

Evolução: «Desde a primeira formação da banda, almejámos sempre que as nossas composições soassem o mais autêntico possível. Trilhámos um longo caminho até ao lançamento deste álbum de estreia, e a banda amadureceu e cresceu enquanto as mudanças de integrantes ocorriam. Hoje, finalmente, temos uma grande equipa, uma máquina de composição que flui com perfeição. Estamos muito ansiosos pelo segundo álbum.»

Influências: «Cada um dos integrantes da banda tem as suas próprias influências, mas convergimos em vários pontos, como o thrash metal da Bay Area, Pantera, Black Sabbath, Sepultura, thrash metal alemão, NWOBHM. Essas influências têm um grande peso no nosso trabalho e transformaram-nos musicalmente naquilo que somos hoje.»

Futuro: «Queremos tocar o máximo que for possível, o som verdadeiro é o ao vivo. Com a tecnologia disponível hoje em dia, qualquer um consegue soar perfeito num estúdio; infelizmente, muitas bandas não conseguem sequer executar as suas próprias composições num concerto, o que não é o nosso caso. Ansiamos pelo suor no palco, pela cerveja gelada e pelo contacto com os verdadeiros fãs de metal!»

Review: Se há coisas bonitas no metal, uma delas é a quantidade de bandas que opta por cantar na sua língua materna, sejam elas islandesas, norueguesas ou, neste caso, brasileiras. No Brasil, muito disso aprendeu-se com Ratos de Porão e ainda há quem lhes siga as pisadas nesse campo. De São Paulo, os Overdose Nuclear cantam em português e tocam uma mescla de death com thrash metal, sem se esquecer uma atitude muito punk.