“Under a Godless Veil” é um marco na cena doom metal mundial e numa carreira que cresceu com visão e resiliência. Draconian “Under a Godless Veil”

Editora: Napalm Records
Data de lançamento: 30.10.2020
Género: doom metal
Nota: 4/5

“Under a Godless Veil” é um marco na cena doom metal mundial e numa carreira que cresceu com visão e resiliência.

Sucessor de “Sovran” (2015), um álbum que Anders Jacobsson considera desorganizado mas que, ainda assim, teve êxito entre os fãs, este “Under a Godless Veil” apresenta uns Draconian diferentes, mesmo que dentro do ambiente doom metal melódico que nos habituaram.

Nome de culto no panorama doom metal, os suecos, que passaram os primeiros 10 anos como banda de demos, chegam ao sétimo álbum (sempre pela Napalm Records) cientes de quem são e do que querem fazer – na realidade, o estatuto que têm vindo a angariar permite-lhes isso, mesmo passos em falso que podem não ter sido apanhados pelos fãs mas que são vividos no seio de Draconian.

Ao longo das 10 novas composições, os nórdicos exibem um doom metal arrastado e muitíssimo atmosférico, sendo este último factor que maior evidência tem na tal transformação sónica de um disco para outro ao fim de mais de duas décadas. Assim, e por mais que os riffs continuem a ser chorados (“The Sacrificial Flame” tem enormes reminiscências de My Dying Bride), este “Under a Godless Veil” permite que o ouvinte respire fundo mais vezes, que reflicta mais sobre a experiência que está a ter e que digira tudo com entrega e tempo (afinal são 62 minutos de melancolia).

Por entre secções soturnas e aterradoras oferecidas pelos growls profundos de Anders Jacobsson ao lado da bateria lenta e das guitarras que unem melancolia no lead com peso contundente no ritmo, reina a bonita e angelical voz de Heike Langhans. Segundo álbum da jovem talentosa em Draconian, Heike possui imensas parecenças com a malograda Aleah Starbridge (1976-2016), com quem partilha, para além da habilidade, o sangue sul-africano, embora se tenham radicado na Suécia há anos. Assim, será nos momentos mais calmos e atmosféricos que Heike brilha e nos conduz a um mergulho num ambiente de extrema tristeza (“Burial Fields”), mas sempre com aquela voz doce a sussurrar aos ouvidos dos perdidos. Contudo, noutros momentos, aponte-se o refrão cativante de “Lustrous Heart” e o dueto com Anders na aflitiva “Sleepwalkers” e na melódica “Moon over Sabaoth”.

Indicados para fãs de My Dying Bride e Trees of Eternity, os Draconian já não precisam de grandes apresentações, com “Under a Godless Veil” a ser mais um marco na cena doom metal mundial e, obviamente, numa carreira que cresceu com visão e resiliência.