A 8 de Setembro de 2003 saía “Dance of Death”, um álbum de Iron Maiden que tinha o peso de ter que ser melhor,... Iron Maiden “Dance of Death”: a história por detrás da música

A 8 de Setembro de 2003 saía “Dance of Death”, um álbum de Iron Maiden que tinha o peso de ter que ser melhor, ou pelo menos tão bom, como o antecessor “Brave New World” (2000) que tinha a carga emocional de representar o regresso de Bruce Dickinson e Adrian Smith. Ao longo de mais de 60 minutos de música, “Dance of Death”, com uma capa destruída na crítica devido a um 3D manhoso, actua como um dos discos de Maiden mais upbeat e de teor alegre com temas como “Wildest Dreams” e “Rainmaker”. Em complemento, o álbum contém também três temas de cariz mais épico, como “No More Lies”, “Paschendale” e a faixa homónima que vai sobrevivendo em alinhamentos ao vivo posteriores. “Dance of Death” representa também a derradeira entrada em campos mais progressivos que se tornaram realidade em álbuns como “A Matter of Life and Death” (2006) e “The Final Frontier” (2010).

Montségur
Baseada na queda da fortaleza cátara, que caiu no rescaldo da Cruzada Albigense em 1244, foi Bruce Dickinson quem escreveu a letra da música, afirmando: «Há tantas coisas boas e incríveis ao longo da História que podes fazer paralelos com os dias modernos – especialmente quando a História se repete com tanta frequência – e isso faz com que alguns assuntos sejam muito coloridos.»

Dance of Death
De acordo com o guitarrista Janick Gers, a faixa-título do álbum foi inspirada na cena final de “The Seventh Seal”, filme de Ingmar Bergman lançado em 1957. No final do icónico filme, as personagens fazem uma dança ao longo de uma colina conhecida como a ‘dança da morte’. Enquanto a parte musical tem assinatura de Gers, o conceito lírico foi explicado a Steve Harris, que passou a ideia para o papel, tornando-a num dos épicos mais espectaculares de Iron Maiden.

Paschendale
Sobre a Batalha de Passchendaele, que aconteceu durante a Primeira Guerra Mundial (1914-1918), o tema foi composto por Adrian Smith. Um dos épicos do álbum, possui uma duração e estrutura de rock progressivo, sendo que cada parte é iniciada através da guitarra cintilante de Adrian Smith. Dickinson comentou: «A beleza de “Paschendale” não está na epopeia da música – embora se tenha de admitir que é um corpo musical poderoso e emocionante – mas no detalhe.» Uma actuação teatral ficou para a História no DVD “Death on the Road”.

Face in the Sand
Baseada na cobertura dos media à volta da Guerra do Iraque, este tema surgiu, como muitos outros noutras fases da carreira da banda, enquanto o álbum já estava a ser gravado. Dickinson explica: «Lembro-me de pensar nas areias do deserto como uma imagem e como isso se move e muda com o tempo. Especificamente, o que eu estava a pensar era que quaisquer impérios que possas construir – sejam britânicos, americanos, iraquianos ou qualquer outro -, tudo se desintegrará e se transformará noutra coisa. Assim, pelo menos para mim, a melhor coisa que podes esperar, se deixares algo para trás, é apenas uma marca na areia.» “Face in the Sand” é a única faixa de Iron Maiden em que Nicko McBrain usa pedal-duplo.

New Frontier
E por falar em McBrain, “New Frontier”, com clonagem de humanos como fundo, é a única música de Iron Maiden que tem um crédito de autoria concedido ao baterista. Em entrevistas, McBrain chegou a afirmar que sempre pretendeu executar música e não criá-la.

Journeyman
Última faixa do álbum, foi a primeira música de Maiden totalmente acústica. Dickinson esclareceu: «Depois de todo o espancamento que demos ao ouvinte ao longo da última hora de música, pareceu correcto acabar com algo totalmente inesperado e sair do terreno.» No DVD “Death on the Road”, Steve Harris afirma que se recusou a tocá-la sentado, aparecendo, de facto, em pé com Bruce Dickinson.

As citações foram traduzidas em modo livre do livro “Iron Maiden: Run to the Hills, the Authorised Biography”, de Mick Wall.