Incisivo e poderoso, talvez sejam os melhores adjectivos que, neste momento, poderemos encontrar para “Seven”. Mors Principium Est “Seven”

Editora: AFM Records
Data de lançamento: 23.10.2020
Género: melodic death metal
Nota: 4/5

Incisivo e poderoso, talvez sejam os melhores adjectivos que, neste momento, poderemos encontrar para “Seven”.

“Seven”. Com este título, que tem tanto de explícito como de lacónico, os Mors Principium Est regressam aos discos, agora em formato duo (Ville Viljanen na voz e Andy Gillion que se encarregou das guitarras, programações/orquestrações, arranjos) após a saída de alguns elementos de longa data já durante a promoção do anterior “Embers of A Dying World”.

Reflexo disso ou não, de um cerrar de fileiras para o processo de composição, esta dezena de temas soa mais áspera, mais dura, puxando as guitarras mais à frente, deixando os arranjos orquestrais e electrónicos um pouco em segundo plano, contribuindo em menor grau para a criação de melodias que trabalhavam em conjunto com os riffs de Gillion. Uma boa excepção disso é “March to War”, uma faixa que nos transporta para os sons de “Embers…”, com uma dinâmica muito bem conseguida, que culmina num refrão curto mas efectivo. Ou então, “Master of the Dead”.

“Seven” soa mais despido de alguma pomposidade que se verificava em registos anteriores, sem nunca deixar de lado a matriz que a banda trabalhou ao longo de duas décadas de existência, tornando-a uma referência no estilo. Onde tínhamos espaço para algumas incursões em “Embers…”, revestindo o todo de contornos épicos, aqui sente-se alguma urgência, patente em muitos ritmos rápidos que marcam as linhas mestras dos temas, respirando depois em passagens que deixam fluir solos e linhas orquestrais, os quais, logo a seguir, se entrelaçam com secções mid-tempo e desembocam em refrãos quase sempre cativantes, daqueles a que já nos habituaram há muito e acabam por ser uma das imagens de marca desta sonoridade.

A fechar, “My Home, My Grave”, a súmula de tudo o que se ouviu. Uma parte inicial épica, em que os teclados têm toda a luz sobre si, que desemboca num riff e num ritmo de bateria rápido, colocando-nos novamente naquele estado de urgência que “Seven” tanto faz transbordar, até chegar a um refrão exímio, pomposo, dos melhores momentos destes 48 minutos de música. Fecha-se assim com chave de ouro um álbum que carrega linhas mais aguerridas, mais cruas, mais raivosas.

“Seven” não é um ‘baralha e volta a dar’, após a fasquia ter sido colocada bem alta há três anos. Nem é um trabalho sem inspiração, bem longe disso. Incisivo e poderoso, talvez sejam os melhores adjectivos que, neste momento, poderemos encontrar para “Seven”. E sem defraudar expectativas nem comprometer um milímetro da sua essência. Ora aí está.