“Punching the Sky” é certamente um dos álbuns do ano, demonstrando mais uma vez que os Armored Saint não sabem lançar um mau registo... Armored Saint “Punching the Sky”

Editora: Metal Blade Records
Data de lançamento: 23.10.2020
Género: heavy metal
Nota: 4.5/5

“Punching the Sky” é certamente um dos álbuns do ano, demonstrando mais uma vez que os Armored Saint não sabem lançar um mau registo de estúdio.

Quando se fala de uma banda tão experiente como Armored Saint, fundados em 1982, até custa a crer que este “Punching the Sky” seja apenas o oitavo álbum do grupo veterano de Los Angeles, que se destacou nos clubes da Sunset Strip ao lado de nomes como Lizzy Borden e Bitch. Em “Punching the Sky” encontramos a sonoridade característica dos Armored Saint assente numa fusão entre heavy metal tradicional e thrash metal.

A introdução dá-se logo com a épica “Standing on the Shoulders of Giants”, com uma abertura a invocar ritmos e melodias medievais. O seu crescendo proporciona-nos uma sensação de ansiedade e interrogação para o que aí vem – no entanto, quando entram as guitarras dinâmicas de Jeff Duncan e Phil Sandoval e a voz possante de John Bush, as dúvidas dissipam-se, pois estamos perante o que parece já ser um clássico do heavy metal. Apenas uma nota negativa para o baixo de Joey Vera que nesta faixa acabou por ficar algo ausente na mistura e que só na bridge consegue furar através das guitarras.

Quando surgiram em meados dos 1980s, os Armored Saint procuraram desde logo um certo distanciamento em relação às bandas glam de LA, demonstrando uma agressividade no seu som que estava muito mais próximo de uns Metallica do que de uns Ratt ou Mötley Crüe. Essa agressividade, que tem vindo a ser explorada pelos Armored Saint em todos os seus álbuns, surge também em “Punching the Sky”. Com “End of the Attention Span” e “Missile to Gun”, a banda apresenta-nos uma textura thrash de riffs rápidos e intrincados, mas orelhudos, enquanto os vocais de Bush surgem numa dicotomia entre o gritado e o cantado sem fugir à melodia, fazendo até lembrar os seus tempos nos Anthrax. “Do Wrong to None” e “Fly in the Ointment” demonstram toda a polivalência sonora de que os Armored Saint são capazes. A primeira vai buscar inspiração aos anos 1990, numa altura em que o groove reinava no espectro metal, e a segunda coloca um travão nos BPMs para apresentar um formato a roçar a power-ballad, mas sem os exageros dos 1980s, o que a torna numa audição agradável.

“Unfair” mantém o registo pausado, sendo talvez a faixa que mais enaltece a qualidade dos músicos, desde logo com o riff arpejado de Jeff Duncan ao qual se junta a bateria algo tribal de Gonzo Sandoval, Joey Vera apresenta uma linha de baixo coesa, John Bush utiliza o seu registo mais emotivo e Phil Sandoval deleita-nos com um solo carregado de feeling e de expressão. A fechar, “Never You Fret” regressa à sonoridade que caracteriza os Armored Saint, com uma introdução sui generis de flauta indiana, tocada pelo próprio baterista Gonzo Sandoval. A faixa desenrola-se até ao fim num groove frenético.

Sem grandes rodeios, “Punching the Sky” é certamente um dos álbuns do ano, demonstrando mais uma vez que os Armored Saint não sabem lançar um mau registo de estúdio. No ano em que a banda assinala o seu 38º aniversário, com uma formação que se mantêm praticamente intacta desde 1982, está também prestes a sair o documentário “Armored Saint: The Movie”, que conta com participações de James Hetfield, Lars Ulrich e Scott Ian. Feitas as contas, esta parece ser uma excelente altura para se ser fã dos Armored Saint.