Epica “Omega”

Reviews 24 de Fevereiro, 2021 Metal Hammer

Os Epica criaram um álbum repleto de sentido cinematográfico e dramático. Quem vier a seguir, vai ter uma difícil tarefa para... Epica “Omega”

Editora: Nuclear Blast
Data de lançamento: 26.02.2021
Género: symphonic/death metal
Nota: 4/5

Os Epica criaram um álbum repleto de sentido cinematográfico e dramático. Quem vier a seguir, vai ter uma difícil tarefa para fazer melhor e superar Mark, Simone & Cia..

Fundados em 2003 após a saída de Mark Jansen dos After Forever no ano anterior, os Epica depressa se tornaram uma das bandas mais reconhecidas e apetecíveis no panorama symphonic metal ao lado de outros nomes como Nightwish. No entanto, o que sempre diferenciou Epica de Nightwish foi a abordagem death metal que utilizaram e sempre mantiveram, o que se evidencia na novidade “Omega” quando “Abyss of Time” começa a ecoar após a intro “Alpha – Anteludium”. Com esta entrada de rompante e cheia de poder, os holandeses mostram logo ao que vêm com Mark Jansen a entoar os seus guturais, que se revezam com a voz feminina de Simone Simons, num tema com um certo teor folk metal à finlandesa.

A toada continua em altas com “The Skeleton Key” através de um refrão orelhudo, quase a repercutir o que conseguiram com o single “Storm the Sorrow” (2012), e as primeiras experiências mais fora da caixa, que traçam um trilho menos homogéneo do que “The Holographic Principle” (2016), surgem em “Seal of Solomon” e “Code of Life” com influências orientais, com a primeira das duas a utilizar a fórmula potente de singles de sucesso como “Beyond the Matrix” (2016).

Mais à frente, com “Freedom – The Wolves Within”, sempre com refrãos memoráveis ao longo do disco, esta faixa tem, apesar da melodia que possui, uma noção pavorosa e urgente na forma como as orquestrações soam repentinas em momentos específicos. Acto contínuo, algum destaque também para “Kingdom of Heaven, part 3 – The Antediluvian Universe”, uma composição de 13 minutos que segue a linha de temas antigos como “Consign to Oblivion” e que tem a particularidade de, coincidentemente, ter relação com a morte das avós dos guitarrista Mark Jansen e Isaac Delahaye.

Detalhes expostos, “Omega” possui toda uma dicotomia expressiva, desde o conceito (em que se frisam fins e inícios, calmas e incertezas) à própria musicalidade. Com orquestrações bombásticas e espantosas, em que também se incluem coros robustos e intensos – algo deveras óbvio quando falamos de Epica –, há toda uma ondulação sónica que nos envolve, muitas vezes em modo quase de valsa em mais uma interessante oposição entre suavidade e peso metal. Nessa ala pesada encontramos então os expectáveis guturais death metal de Mark Jansen e algumas guitarras de sete cordas que oferecem um som mais gordo e espesso, tudo em contraste com a voz cristalina de Simone Simons e, refira-se, breves coros infantis.

Com todos os ingredientes atrás referidos, os Epica criaram um álbum repleto de sentido cinematográfico e dramático, mas nem tudo é um mar de rosas. Eventualmente, é possível que algumas opiniões concordem que “Omega” é demasiado longo, tendo uma duração total de 70 minutos. A verdade é que o álbum talvez pudesse acabar na oitava ou nona faixa – “Kingdom of Heaven” ou a balada “Rivers”, respectivamente –, porque não será de todo descabido dizermos que por essa altura já se começa a perder a atenção, sendo até que as últimas três faixas são a menos melhores – não diremos fracas, porque não são – de todo o alinhamento, quase a puxar ao filler.

No cômputo geral, os Epica não perderam as suas habilidades, tendo até melhorado algumas mesmo com pandemia na próxima esquina (a gravação da orquestra esteve em risco), como por exemplo a fomentação de uma narrativa mais coesa e perceptível, ainda que com todas as suas idiossincrasias paradoxais, e uma heterogeneidade vivaça e atraente. Uma coisa é certa: quem vier a seguir, vai ter uma difícil tarefa para fazer melhor e superar Mark, Simone & Cia..