Os Shadowspawn transportam uma aura de juventude e rebeldia que se presume querer ser preservada com um longa-duração polémico, pesado, old-school... Shadowspawn “The Biology of Disbelief”

Editora: Emanzipation Productions
Data de lançamento: 16.04.2021
Género: death/thrash metal
Nota: 3.5/5

Os Shadowspawn transportam uma aura de juventude e rebeldia que se presume querer ser preservada com um longa-duração polémico, pesado, old-school e obstinado.

Com uma imagem renovada e fresca, os Shadowspawn presenteiam desde 2012 um death/thrash metal de elevado cariz inovador, conseguindo mesclar o death metal mais clássico e habitual, tornado famoso por Death e Cannibal Corpse, com um thrash metal realmente técnico e apurado. Os dinamarqueses trouxeram neste novo álbum, “The Biology of Disbelief”, uma nova toada artística com uma perspectiva mais trabalhada daquilo que o seu som deve ser.

Após o sucesso inusitado e moderado, mas revelador do talento da banda, com “Hope Lies Dormant”, o quinteto solidificou as suas intenções com um death metal pesado e fortemente instrumental, com letras realmente obstinadas e autênticas. Findados quatro anos depois do último lançamento, “The Biology of Disbelief” evolui sobretudo no que toca ao aspecto técnico e à produção. Quatro anos de trabalho num álbum podem ter este efeito, culminando em dez faixas directas, curtas e com intenção fervorosa. Tecnicamente, há mais dinamismo implementado, com passagens exímias entre a bateria e a guitarra, vozes de fundo que acentuam o pesar da narrativa e vocais potentes, que no death metal tornam-se magnificamente importantes e criativos quando a qualidade se supera.

Este segundo álbum já não surpreende pelo talento da banda, mas pela criatividade contínua de um grupo que, claramente, se quer tornar numa marca da boa indústria musical que se produz na Dinamarca. Os temas são polémicos com a religião a ter peso fulcral. A inspiração é clássica, mas a inovação está presente com um thrash metal realmente técnico a dar toques de Vektor, sobretudo nas faixas mais thrash. Apesar de tudo, o death é predominante e domina as dez composições que fluem dinamicamente, com uma narrativa muito bem desenvolvida. Apesar de quase uma década como grupo, os Shadowspawn ainda transportam uma aura de juventude e rebeldia, que se presume querer ser preservada com um longa-duração polémico, pesado, old-school e obstinado.