Colectivo que não gosta de limites, os alemães Arroganz trazem-nos o seu metal polivalente que inclui death, groove, fusion e doom.... Arroganz: o festim da morte é a vida

Origem: Alemanha
Género: death metal
Último lançamento: “Morsus” (2020)
Editora: Supreme Chaos Records
Links: Facebook | Bandcamp

Colectivo que não gosta de limites, os alemães Arroganz trazem-nos o seu metal polivalente que inclui death, groove, fusion e doom. O vocalista -K- faz-nos uma visita guiada pela banda e pela actualidade representada por “Morsus” e pandemia.

«Todas essas discussões sobre o que é verdadeiro ou não no metal: treta! Se fazes o que queres fazer, então és o mais verdadeiro.»

O álbum e a actualidade: «“Morsus” é a última parte de uma trilogia que começou em 2017 com o álbum “Primitiv”. Este é o álbum mais pessoal que já fizemos. Quais são as nossas expectativas? Falando honestamente: não nos importamos muito com as opiniões das outras pessoas. No final, fazemos o que queremos fazer. Compomos, tocamos e gravamos as músicas que queremos e que expressam o que queremos dizer. Se gostas, óptimo! Se não, bem, não importa, talvez encontres outra banda que se adeque melhor a ti.
Acho que chegámos a um ponto em que a música de Arroganz é apenas Arroganz. Claro, temos as nossas raízes no death metal, doom metal e black metal, principalmente à maneira da velha-escola, mas somos fãs de música e músicos além-fronteiras de qualquer género. Portanto, todos estes anos a tocar, a compor e a ouvir levaram-nos ao nosso próprio estilo. E não nos repetimos. Permanecemos fiéis a nós próprios. E crescemos enquanto pessoas, músicos e banda – isso significa que a música também tem de mudar. Sabes aquelas bandas que encontram uma receita que vende melhor e depois a repetem sucessivamente? Não somos nós. Temos de crescer e ser verdadeiros connosco. Sabes, todas essas discussões sobre o que é verdadeiro ou não no metal: treta! Se fazes o que queres fazer, então és o mais verdadeiro.
“Morsus” é o nosso primeiro álbum pela Supreme Chaos Records. Trabalhar com eles é muito tranquilo e familiar. Estamos felizes com a nova editora – deu tudo certo até agora. Já trabalhámos com a Supreme Chaos no passado: lançaram a edição em vinil do EP “Erzketzer” e também fizeram o split “Sermon of Ungodly Dreams” com os nossos irmãos Obscure Infinity, Lifeless e Reckless Manslaughter.
Com a pandemia, o momento é bastante especial para um lançamento. Toda a gente tem de lutar contra isto. Mas estamos a tentar tirar o melhor proveito disto – como fazemos sempre. Damos concertos tanto quanto podemos, mesmo que sejam pequenos, sentados e assim por diante. Concertos assim são melhores do que nada.»

Conceito: «Neste álbum pusemos todas as coisas negativas, difíceis e sombrias que vivemos nos últimos anos. Não há um conceito, mas lida com todas estas coisas Às vezes escrevemos um pouco mais filosoficamente, noutras vezes é mais pessoal – mas é sempre sobre nós, sobre o que vivenciamos, como lidamos com as coisas e como vemos as coisas à nossa volta.»

Evolução: «Diria que a nossa evolução é bastante natural. Como disse antes: as nossas raízes estão no death metal, doom metal e black metal. Ou até antes disso. Sou um grande fã de Led Zeppelin, por exemplo. Mas géneros não são limites para nós. Existe música boa ou música má. É isso. E, claro, a música boa fez parte da nossa evolução. E ainda há toneladas de música boa a sair todos os anos. Portanto, diria que a vida e a música boa determinam a nossa evolução. E somos criativos o tempo todo – não há períodos de composição restritos ou algo parecido. O único problema com a criatividade, no nosso caso, é que não temos tempo suficiente para a fazer surgir completamente. Isso às vezes é difícil, já que todos trabalhamos a tempo inteiro. Mas temos sempre ideias, riffs e o fogo para criar música. Faremos as nossas coisas como sempre fizemos. E, claro, esperamos poder tocar em Portugal no futuro!»

Review: O tema-título de “Morsus” é uma boa amostra do que estes alemães são capazes. Numa só composição, a banda inclui groove, fusion, doom e death metal, tudo combinado numa destruição sonora entre o slow, mid e fast-tempo oferecido por uma bateria combatente, guitarras que tanto são tensas como intrincadas e uma voz sofrida que expele raiva e angústia ao mesmo tempo. Arroganz é, sem dúvida, uma das pérolas do underground europeu que tem de ser descoberta rapidamente por um público maior que gosta de música pesada, negra e perturbadora.