“Nodus Tollens” é um portento do metal progressivo, repleto de texturas e com conteúdo rico e inteligente. Sullen “Nodus Tollens – Act 1: Oblivion”

Editora: independente
Data de lançamento: 05.03.2021
Género: prog metal
Nota: 4.5/5

“Nodus Tollens” é um portento do metal progressivo, repleto de texturas e com conteúdo rico e inteligente.

Sullen é uma banda portuguesa de metal progressivo que ressurgiu de Oblique Rain, quando estes terminaram actividades, para lançarem um disco de estreia em 2015 e voltarem uns longos seis anos depois com este “Nodus Tollens – Act 1: Oblivion”.

O segundo álbum é, para qualquer banda, um momento de confirmação e expectativa para muitos fãs, seguidores e crítica. Sobretudo, um segundo lançamento que sai para as lojas ao fim de seis anos e em plena pandemia, parece quase que as expectativas e a exigência aumentam exponencialmente.

“Nodus Tollens” definha com quaisquer possíveis desilusões logo a partir da primeira faixa “The Prodigal Son”, que nem de propósito quase remonta a estes seis anos de espera por um novo disco, iniciando uma jornada conceptual à volta da espiritualidade humana, que tem o seu conceito centrado na nodus tollens criada por John Koenig, o filósofo que definiu este termo como sendo um sentimento de insegurança que surge quando as pessoas acham que as suas vidas já não fazem sentido. Ora, este apogeu filosófico acaba por se distanciar de “Post Human” (2015), que fora um álbum com forte narrativa mas não tão centrado na componente humana como aqui.

O novo álbum define os Sullen como eles são – um grupo repleto de texturas e dinamismos que não parece satisfazer-se com a sua actual situação musical – e é uma viagem sónica pela obscuridade humana, sendo que deve ser ouvido como um todo e não deverá ser correcto destacar uma ou outra faixa. No entanto, é de reconhecer a essência sonora de temas como “The Prodigal Son”, “Skylines” e “Acheronta Movebo”, que são uma excelente prova de metal progressivo pesado, atmosférico e criativo, sem nunca se colarem devidamente a rótulos. O ambiente é profundamente amargo e depressivo com faixas terminais como “The After” e “Fail Safe” que quase colocam um ponto final a um pensamento de sofrimento, guiando-nos para uma disposição quase libertadora por um fim há muito desejado.

“Nodus Tollens” é um portento do metal progressivo, repleto de texturas e com conteúdo rico e inteligente. É um belo álbum do género, demonstrando o talento português para o estilo. De uma inspiração muito capaz num conceito nada fácil de interpretar, visto focar-se na mudança do paradigma humano face ao sofrimento e percepção da realidade. É na realidade um álbum filosófico com fortes tendências de estudo interessantes veiculadas por uma sonoridade poderosa de metal progressivo criativo e polivalente.