Gravado e emitido a partir do estúdio próprio conhecido como The Mill em Bradford, West Yorkshire, Inglaterra, os Paradise Lost fizeram o dia dos... Paradise Lost (The Mill, 05.11.2020)
Foto: Anne C. Swallow

Gravado e emitido a partir do estúdio próprio conhecido como The Mill em Bradford, West Yorkshire, Inglaterra, os Paradise Lost fizeram o dia dos seus fãs com um concerto carregado de simbolismo, em primeiro porque foi a estreia de temas do álbum “Obsidian” (2020) e em segundo porque tiraram a barriga de misérias, tanto a si mesmos por tocarem ao vivo e para um público (ainda que virtual) como para os fãs que, mesmo sentados em casa, ficaram contentíssimos por esta oportunidade, visto a impossibilidade de marcarmos presença em grandes eventos sociais.

Com um cenário simplista e escuro, com apenas praticamente os músicos a serem alvejados pelas luzes brancas dos holofotes, na primeira hora foram tocados temas como “Widow”, “Fall from Grace”, “Blood and Chaos” e “Faith Divides Us – Death Unites Us”. Destaque ainda para “Gothic” e “Shadowkings”, tema este que mereceu comentários no chat por ser o primeiro (e único, como se percebeu depois) pertencente ao histórico álbum “Draconian Times”. “One Second” foi mais um motivo de júbilo, com os participantes no streaming a escreverem o refrão na secção de comentários como se estivessem a cantar em público. Seguiu-se “Ghosts”, “The Enemy”, “As I Die”, “Requiem”, “No Hope in Sight” e “Embers Fire”, esta última com um poderoso trabalho lead/solo por parte de Greg Mackintosh.

Numa espécie de encore, que era na realidade um momento do concerto reservado aos portadores do bilhete VIP, os Paradise Lost terminaram com “Beneath Broken Earh”, “So Much Is Lost” e “Darker Thoughts”, a derradeira interpretação deste evento que foi alvo de elogios por parte do público devido à excelente forma com que foi executada ao vivo, especialmente para os mais cépticos.

Formados em círculo, os Paradise Lost evidenciaram as suas já conhecidas feições sérias e soturnas, sem qualquer interacção com a plateia virtual, em contraste com o sempre mais sorridente Aaron Aedy que parece viver o seu melhor momento de vida sempre que sobe a um palco com os seus amigos de longa data. Acto contínuo, e como sempre em situações deste tipo, sente-se claramente a falta de aplausos no final das músicas, ficando um vazio na sala onde se está confortavelmente a ver a emissão.

Com um alinhamento muito rico e diverso – ainda que se desejasse mais de “Draconian Times” por estar a comemorar os seus 25 anos –, as 16 músicas foram lindamente executadas, com particular foco na guitarra lead muito preponderante de Mackintosh a soar mais crua e mais presente do que nos discos e na voz de Nick Holmes que pouco, ou mesmo nada, foi alvo de truques de estúdio, tirando os backing-tracks que o apoiaram em alguns refrãos.

Muito satisfeitos e agradecidos com o que assistiram, e sob as circunstâncias que estamos a viver, por fim, os fãs acharam esta experiência tão contagiante que choveram pedidos para uma edição futura em DVD/Blu-Ray. Quem sabe…