É o melhor trabalho da banda, mas sem deslumbrar ou deixar uma vontade contagiante de ouvir repetidamente. Mountaineer “Bloodletting”

Editora: Lifeforce Records
Data de lançamento: 22.05.2020
Género: post-metal
Nota: 3/5

É o melhor trabalho da banda, mas sem deslumbrar ou deixar uma vontade contagiante de ouvir repetidamente.

“Bloodletting”, à primeira audição, soa a prova de vida. Se “Sirens & Slumber” e “Passages” foram exercícios medianos, com a tentativa, nem sempre bem-sucedida, de aglomerar algumas texturas musicais como post-rock, shoegaze, sludge ou post-metal, com este novo trabalho a banda tenta condensar e homogeneizar tudo sob o manto do post-metal e da melancolia que sempre lhes foi apanágio. Para isso, conseguiram a melhor produção até à data, com um som gordo com o qual se percebem bem todos os instrumentos, principalmente o trabalho de guitarras com alguns pormenores muito agradáveis. E claro, um punhado de temas mais cativantes, que tiveram tempo para crescer e mostrar uma qualidade na composição que pareceu andar escondida.

Há espaço para arranjos cuidados, como no início de “Shot Through with Sunlight” ou em todo o percurso de “South to Infinity”, o melhor tema do álbum, que é mais sludgy, mais sujo, com um riff bem sacado na sua primeira parte e que vai intercalando com passagens mais amenas. E é nesse registo que Miguel Meza acaba por ganhar pontos, largando o tom tristonho e repetitivo de linhas vocais limpas. Apesar disso, ainda há momentos que acabam por fazer o álbum cair na monotonia, como o tema-título ou “Apart”, soando a filler. Se assim não fosse, um trabalho mais curto certamente exigiria mais da nossa atenção e estaríamos perante uma proposta mais convincente, mais rica.

Como referido no início, este terceiro longa-duração dos Mountaineer soava a prova de vida. Com mais uma série de audições, essa perspectiva mantém-se. Tem momentos que captam pelo imediatismo e outros tantos que nos transportam para um caminho já percorrido várias vezes por tantos outros projectos. No entanto, parece claro que este é o melhor trabalho da banda, sem deslumbrar ou deixar uma vontade contagiante de ouvir repetidamente. Entretém durante os 50 minutos de duração, mas ainda parece curto para atingir outros voos.