Para momentos de introspecção esquartejados por breves fúrias, qual dicotomia entre a calma do sono e o ataque de pânico, “Spring in Blue” é... SVNTH “Spring in Blue”

Editora: Transcending Records
Data de lançamento: 28.08.2020
Género: post-metal / post-rock
Nota: 3.5/5

Para momentos de introspecção esquartejados por breves fúrias, qual dicotomia entre a calma do sono e o ataque de pânico, “Spring in Blue” é uma boa banda-sonora para os dias e noites dos nossos tempos.

Com membros também afectos a Bedsore, os SVNTH (ou Seventh Genocide), muito mais antigos do que os referidos em primeiro, enveredam aqui pelo post do metal e do rock, diferenciando-se bastante do death metal perturbador de Bedsore.

Chegando ao terceiro longa-duração, a banda italiana consegue captar de tudo um pouco no que ao campo do post diz respeito. Nem sempre fácil de se assimilar imediatamente, dados os momentos de antecipação que começam temas como “Erasing Gods’ Towers”, a sonoridade dos SVNTH é de picos e vales. Ainda na referida faixa, o grupo é capaz de elaborar longos segmentos de uma melancolia lenta quase a roçar o funeral doom metal para depois explodirem em post-black metal sujo e denso.

Esses referidos picos e vales grassam todo um disco que tem cerca de uma hora de duração e, apesar de termos que ter paciência para passarmos por alguns baixios, é essa dinâmica que faz crescer um disco bem pensado e, aparentemente, na nossa óptica, muito honesto. Quanto à altitudes, a banda tanto consegue ser raivosa como épica, tendo-se sempre em conta uma sonoridade post pintada a tons muitos distorcidos e ruidosos.

Fugindo-se já para o melhor deste álbum, as composições de maior gabarito alinham-se no final com a penúltima “Chaos Spiral in Reverse” e a última “Sons of Melancholia”. Enquanto a primeira é alimentada praticamente por um post-black metal denso e corrido, demonstrando a faceta mais agressiva e, por vezes, dissonante do grupo, a seguinte remata toda esta jornada com uma abordagem ao blackgaze e post-punk na onda de uns Alcest, algo que, verdade seja dita, já se tinha começado a perceber à medida que as faixas iam correndo.

Para momentos de introspecção esquartejados por breves fúrias, qual dicotomia entre a calma do sono e o ataque de pânico, “Spring in Blue” é uma boa banda-sonora para os dias e noites dos nossos tempos, pelo menos para os sofredores. Se o tal sétimo genocídio perpetrado pelo capitalismo aí vier, conforme a banda prevê, não te esqueças de pôr isto a rodar.