Ao levar a dance music para novos territórios pesados, os The Prodigy começaram um incêndio no metal que ardia tão intensamente... Como Keith Flint e The Prodigy incendiaram o metal

Ao levar a dance music para novos territórios pesados, os The Prodigy começaram um incêndio no metal que ardia tão intensamente que não podia ser ignorado.

Quando os The Prodigy começaram a aparecer em revistas de metal e rock nos meados dos anos 1990, nem toda a gente ficou feliz. As páginas das cartas foram inundadas com reclamações. Assinaturas foram canceladas. Mais de uma ameaça de morte foi emitida por um metaleiro descontente.

Em retrospectiva, essa reação – embora exagerada – talvez fosse compreensível. No início dos anos 1990, a banda e a cena rave de onde surgiu eram vistas como inimigas. A antítese da música pesada, irritantes que dançariam alegremente ao som do alarme de um carro. O fundamental era simples: rock e dança não se misturavam.

Tudo começou a mudar em 1994 com o lançamento do segundo álbum dos The Prodigy, “Music For The Jilted Generation”, que continha algumas músicas orientadas ao rock – “Their Law” e “Voodoo People”. Mas foi só com uma actuação verdadeiramente incendiária no Glastonbury, em 1995, que se tornou óbvio que os The Prodigy estavam a transformar-se em algo muito especial e totalmente único; um híbrido louco de rock e punk, hip-hop e dance music, que tinha a capacidade de reunir todas essas tribos díspares. Mesmo assim, a maioria dos fãs descobriu-os mais por sorte do que por julgamento.

E depois, em Março de 1996, os The Prodigy lançaram um novo single. O título incendiário dizia tudo o que se precisava de saber: “Firestarter”. Ajudado por um vídeo com o vocalista / mestre do caos Keith Flint num túnel subterrâneo, o single foi directamente para o Número Um, provocando perguntas no Parlamento sobre o lunático com dois mohawks a advogar fogo-posto. Os The Prodigy eram grandes demais para serem ignorados – e os fãs de rock começaram a entender isso.

«É o que se quer, não é!», ri Liam Howlett, fundador / líder / génio de The Prodigy, recordando a controvérsia. «Mas, ao mesmo tempo, pensei: será que não havia nada mais importante a acontecer que tiveram de falar sobre o meu disco? Tomem conta do país, seus conas!»

Apesar do sucesso de “Firestarter” e dos singles igualmente provocantes “Breathe” e “Smack My Bitch Up”, ainda havia resistência nos sectores mais exigentes da comunidade metal. Alguns permaneceram veementemente contra esta novidade que impõe batidas de dança na sua música. Para o próprio Liam, isso nunca foi tão simples como The Prodigy se tornar uma banda de rock.

«Eu gostava de hip-hop antes de começar The Prodigy», diz, «e naquela época era bastante barulhento. Se ouvirem Public Enemy, era barulhento, caótico, um verdadeiro som ‘vai-te foder’. Assim, quando a sonoridade breakbeat do leste de Londres começou a acontecer, ouvi aquele caos e barulho nesses discos, e fui atraído».

A ficar entediado com o hip-hop, Liam começou a frequentar raves, mas isso também se tornou obsoleto, acabando por se sentir seguro e repetitivo. Os The Prodigy estavam em Los Angeles quando o debutante de Rage Against The Machine foi lançado, e também tocavam em festivais ao lado de Suicidal Tendencies e Biohazard. Cansado de actuar para ravers sem discernimento, os The Prodigy queriam a multidão do rock.

«Mas nunca foi como se estivéssemos a mover-nos para o rock», argumenta Liam. «Apenas expandimos o nosso som e trouxemos de volta o risco que eu queria. Direi, no entanto, que o som fundamental das batidas e dos baixos nunca mudou; esse ataque permaneceu sempre igual ao do nosso primeiro disco até agora.»

Em 1997, os The Prodigy provaram a sua coragem – e de facto, o seu metal – no circuito dos festivais, rebentando a oposição no Reading, no Phoenix Festival e no T In The Park, algo que Liam diz ser muito importante para conquistar um novo público. «Inclinámos as pessoas para o que estávamos a fazer em vez de nos tentarmos encaixar na cena rock», diz.

Se “Firestarter” lançou as bases, o terceiro álbum dos The Prodigy, “The Fat Of The Land”, selou-os. Lançado em Junho de 1997, a antecipação atingiu o pico da febre – o mundo estava ansioso por isso. Foram auxiliados por outra explosão de controvérsia, desta vez envolvendo o single “Smack My Bitch Up” e o seu vídeo sem limites com drogas e nudez. Após reclamações de grupos feministas, o álbum foi retirado das prateleiras de certas lojas de discos, mas isso não impediu que chegasse ao Número Um em mais de 20 países, incluindo EUA e Reino Unido.

«Tudo bem», diz Liam, reflectindo modestamente sobre o álbum. «Quero dizer, há cinco músicas do caraças nele. A “Smack My Bitch Up” ainda é o nosso hino ao vivo, e o som ainda bate forte e fresco hoje em dia, portanto fiz bem a mistura, da qual me orgulho. Não acho que seja o nosso melhor álbum como um todo, mas tem duas ou três das nossas melhores músicas, e isso significa um bom momento na altura em que as barreiras foram quebradas.»

Subestima o impacto do disco e a sua enorme influência na cena rock. Todos, desde Biohazard e Sepultura até Gene Simmons (não, a sério), fizeram covers de músicas de “Fat Of The Land”, e as grandes batidas que eram tão incomuns no rock são agora quase comuns. Os The Prodigy tornaram-se posição fixa no Download, sendo finalmente cabeças-de-cartaz no palco principal em 2012, mesmo que ainda não fossem totalmente aceites por umas secções de metaleiros. Para qualquer outra pessoa, isso teria sido frustrante. Não foi para Liam Howlett.

«Nah, meu, nunca», ri. «Adorámos. Não estávamos a tentar ser aceites, não queríamos saber. Estávamos simplesmente a dizer às pessoas, com as nossas músicas, que há outro som pesado atacante e um novo ângulo. Acho que depois de nos terem visto ao vivo, ficou mais fácil de compreender.»

Décadas após o lançamento do seu álbum mais conhecido, os The Prodigy não facilitaram a abordagem conflituosa. «Nenhuma das minhas influências mudou», diz Liam. «Acho que as tuas influências, quando começas a compor, ficam sempre em ti e nunca vão embora. Desde o ataque e o groove do som dos Rage até ao caos e batidas dos Public Enemy e da [sua equipa de produção] The Bomb Squad… Depois liguei-me a músicas e a bandas que me afectaram ao longo do caminho. Os System Of A Down inspiram-me sempre, e é uma banda que faz a merda à sua maneira. Eles não soam como mais ninguém… e nós não queremos soar como mais ninguém!»

Pede-se-lhe para resumir o impacto e a influência de “The Fat Of The Land” e simplesmente encolhe os ombros. «Sei lá, e não quero saber.» Diz que esse tipo de coisas é para outras pessoas analisarem e escreverem. «Apenas fazemos a nossa cena e avançamos.»

No entanto, confessará que é um pouco estranho “The Fat Of The Land” ser considerado um álbum clássico de ‘metal’, dada a história, às vezes difícil, da banda com o género.

«Sim, parece estranho», pondera. «Mas quando olho para trás, esta banda nunca foi normal. Estou acostumado com a estranheza do meu mundo!»

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30 years ago on 5th October 1990 we formed The Prodigy while out at a rave ,, I already had the first tunes…

Publicado por The Prodigy em Segunda-feira, 5 de outubro de 2020

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Consultar artigo original em inglês.