“A Romance with Violence” é fogo, sangue e ouro – black metal no seu estado mais ilimitado. Wayfarer “A Romance with Violence”

Editora: Profound Lore Records
Data de lançamento: 16.10.2020
Género: post-black metal / folk
Nota: 4/5

“A Romance with Violence” é fogo, sangue e ouro – black metal no seu estado mais ilimitado.

Há alguns anos que o black metal deixou de ser um dogma, uma franja ultra-ortodoxa do metal. Nos últimos, pelo menos, 10 anos, o black metal começou a cultivar dentro de si novas abordagens líricas (paganismo, ecologia, política, existencialismo) e sonoras (mais melodia, mais atmosfera, melhores produções, absorção de outros géneros).

Um dos casos de desenvolvimento tem a ver com Wayfarer, banda norte-americana do Colorado que, em nove anos de existência, chega ao quarto álbum “A Romance with Violence”.

Podendo ser inseridos no espectro do post-black metal, os Wayfarer são mais do que um simples novo rótulo. Numa sonoridade densa, severa e melancólica – desértica numa só palavra –, o quarteto de Denver utiliza este cenário sónico para contar histórias do Velho Oeste – afinal, o folclore dos EUA é índios e cowboys.

Claro que o black metal intenso – que tanto pode ser negro como triunfante no caso deste disco – é o que mais se destaca ao longo de 45 minutos, mas os Wayfarer arranjaram forma de incluir o country e o americana nos momentos mais suaves, como interlúdios dentro de músicas. Na verdade, é o algo a que estamos habituados quando deste tipo de bandas se trata, só que em vez de ambiências etéreas e experimentais cunhadas por grupos europeus, os Wayfarer utilizam inteligentemente essas secções para nos incutirem o ambiente do faroeste com guitarras acústicas, batuques e, por vezes, teclados, como se estivéssemos nos portões de um aldeamento em pleno Midwest, prontos a olhar nos olhos o xerife que recebe o forasteiro com desconfiança – o duelo é eminente!

Os álbuns anteriores já eram prova suficiente de quem são os Wayfarer e ao que vêm, mas “A Romance with Violence” atesta ainda mais a capacidade que a banda tem para criar um som que lhes és próprio, não devendo nada a ninguém. “A Romance with Violence” é fogo, sangue e ouro – black metal no seu estado mais ilimitado.