Este álbum pode não agradar a todos, sobretudo a quem não adora noise, mas maravilha na capacidade rara de criar um... The Body “I’ve Seen All I Need To See”

Editora: Thrill Jockey
Data de lançamento: 29.01.2021
Género: sludge metal / experimental / noise
Nota: 3/5

Este álbum pode não agradar a todos, sobretudo a quem não adora noise, mas maravilha na capacidade rara de criar um universo cacofónico e intenso de sons distorcidos, impactantes e quase sónicos, magnificando a qualidade do noise nesta nova abordagem que o duo tão bem consegue realizar.

The Body continuam a figurar como uma banda quase-revelação apesar dos seus mais de 20 anos de carreira e do dueto que compõe a formação do grupo. Chip King e Lee Buford já não são duas novidades da indústria, tendo fundado os The Body em 1999, com o absoluto intento de ser uma novidade a cada lançamento, muito fruto da sua corrente extremamente alternativa e experimental proporcionada em cada álbum.

Desta vez, “I’ve Seen All I Need To See” eleva a fasquia experimental, apresentando em rigor o subgénero do noise metal que nem sempre é reproduzido com êxito, sendo, por vezes, confundido com cacofonia pós-editorial que pouco ou nada acrescenta. Apesar de não ser um álbum fácil de ouvir, este experimentalismo consegue reunir consenso em termos criativos, obtendo uma bela nota nesse aspecto.

Sem delongas, o duo apresenta-nos “A Lament”, um tema brutalmente assassino em termos de agressividade, com gritos instrumentais e sonoros que verdadeiramente incomodam os ouvintes, mas de uma forma agradável. Sendo esta a faixa de abertura, o mote é dado para o que aí vem. Uma das características dos The Body é a distorção acrescentada durante a composição do seu conceito, tornando cada audição num passatempo sôfrego que nos inclui numa narrativa de sofrimento e desgosto.

O noise metal, como dito acima, nem sempre é bem-sucedido; aliás, na maior parte das vezes não é de boa qualidade, sendo que poucas são as bandas que conseguem ter um sucesso significativo. Curiosamente, os The Body acabaram por se tornar pioneiros do género, apesar do noise metal moderno já existir desde anos 80/90, com Nirvana por exemplo. Francamente, o noise metal já existe há mais tempo, desde anos 60/70, tendo Lou Reed inspirado diversas bandas a fazer uma espécie de produção arruinada para intensificar a sonoridade obscura. No entanto, os The Body lideram este novo tipo de noise moderno com uma maior intensidade na distorção e mais elementos de produção que antigamente não existiam. “I’ve Seen All I Need To See” pode ser o disco mais difícil e obscuro da carreira do duo, sem desprimor para os sete lançamentos de estúdio anteriores.

A força mortífera da bateria de Lee Buford e as guitarradas pontiagudas de King criam o ambiente necessário para o vocal raro que vai aparecendo aqui e ali, tão inteligentemente adicionado para aumentar o nível de obscuridade. O oitavo álbum de originais dos The Body pode não agradar a todos, sobretudo a quem não adora noise, mas decerto maravilha na capacidade rara de criar um universo cacofónico e intenso de sons distorcidos, impactantes e quase sónicos, magnificando a qualidade do noise nesta nova abordagem que o duo tão bem consegue realizar.