Seis anos depois de “Hinos Politicamente Incorrectos”, Quinteto Explosivo está de volta numa primeira vaga com o single “Loucura Cósmica” e... Quinteto Explosivo: vídeo de “Loucura Cósmica” + entrevista

«Voltamos cheios de vontade de fazer música, agitar as águas, fazer rock n’ roll e fazer história por esses palcos fora.»

Ivo Conceição

Seis anos depois de “Hinos Politicamente Incorrectos”, Quinteto Explosivo está de volta numa primeira vaga com o single “Loucura Cósmica” e numa segunda com o álbum “Vamos Todos Morrer”, que deverá sair em Junho de 2021.

Questionado sobre o porquê deste regresso agora, a meio da pandemia que pensávamos que só ia durar uns meses – em que se pergunta também se acha que tivemos saudades –, Ivo Conceição aka Bocage 2.0 (pediu-nos este aka e nós dissemos que era na boa) respondeu: «Voltamos cheios de vontade de fazer música, agitar as águas, fazer rock n’ roll e fazer história por esses palcos fora. Houve tanta coisa a acontecer na vida nestes seis anos, parece que foi um minuto, e voltamos com a consistência máxima a todos os níveis. Tive que literalmente arrumar várias casas para poder chegar aqui, ao ponto de fazer o que realmente sempre quis com Quinteto Explosivo. Tenho muitas saudades de tocar ao vivo.»

Fala no plural, por isso depreendemos que são vários anónimos ao seu lado. Quem são? «Sou eu, quem é que havia de ser? Tenho convidados em alguns temas. Ao vivo mantém-se um elemento quando possível, mas (e para variar) sempre fui muito solitário em todos os processos artísticos e em tudo no que me envolvo.»

A nova música “Loucura Cósmica” é apresentada como prog-space-punk. Interpomos sem meias medidas: o que raio é isso? «As pessoas que já ouviram o single vão perceber. Um dos elementos de Igorrr apelidou o tema assim – eu concordo! O progressivo vem das minhas influências paternas (música dos anos 70), o space vem do imaginário e som psicadélico que ouço, o punk vem das minhas origens punk e consequentemente black metal, que é possivelmente o estilo que mais ouço desde sempre.»

Não é preciso muito tempo de audição para percebermos que a nova sonoridade de Quinteto Explosivo difere do passado – mais construída, mais estruturada com alguma complexidade que não é demasiada, mais adulta. Na nota que chegou à Metal Hammer Portugal fala-se de influências em Devin Townsend, Fantômas e Sepultura. «Não sou eu que falo», atira, «nem conheço o trabalho do Devin, Fantômas sou fã total, Sepultura até 1996. Quem ouve o meu novo single de Quinteto Explosivo fez essas comparações, apesar de não se colar a nada. É o maior elogio que me podem fazer – não tento ser igual a ninguém, seguir moda, produção ou números. É o meu bebé rebelde».

Mesmo assim, imaginemos um encontro entre Ivo, Townsend, Patton e Kisser. «Esse encontro possivelmente seria a beber café – sei que todos gostam, eu inclusive. Se me fosse possível trocar aí o Kisser pelo Max… Sorry.»

«Prefiro dizer que Quinteto Explosivo soa à minha cabeça, são conceitos sonoros inventados por mim.»

Ivo Conceição

Mas mais influências, por favor, sem ser Manuel João Vieira. «Há dois nomes que vêm à baila, também por quem ouve este tema: os Cardiacs e os inevitáveis Igorrr. Prefiro dizer que Quinteto Explosivo soa à minha cabeça, são conceitos sonoros inventados por mim.»

Ouvimos a música e demos especial atenção à letra. Ficámos estupefactos – não há asneiredo ou provocações directas. «O que é que correu mal, certo? Disco novo, vida nova», contra-pergunta e responde. «A provocação está inerente ao meu ADN e, de um modo ou outro, este disco e single são pura provocação, nem que seja pela sua forma e conteúdo tão singulares para os dias que correm. Um tema que tem tantas influências, tantos universos, tanta dinâmica é uma espécie de alien da música portuguesa. Senti a necessidade de virar a página com Quinteto Explosivo, um salto qualitativo que tanto desejava.»

Ivo Conceição está aqui a representar Quinteto Explosivo, mas, como multi-instrumentista e multifacetado em várias áreas, o passado e algum do presente estão recheados de outras bandas. Quisemos saber mais sobre o estado dessas relações, e nem há roupa suja para lavar. «Está em paz. Orgulho-me muito do meu passado com estas pessoas e bandas tão únicas e tão valiosas, cada uma à sua maneira, com uma história e um legado alucinante.»

Vamos por partes…

Orfeu Rebelde: «Toquei com alguns dos meus ídolos de infância da altura, os Moonspell.»

Homens da Luta: «Conheci a mulher da minha vida e mãe do meu filho, e também ganhei um Festival da Canção e fui à Eurovisão, só para dar dois exemplos. Sou um sortudo e sempre soube o que quis e para onde ir – agradeço ao Universo por tudo. Espero que se reúnam em breve quando o bicho for embora.»

Kalashnikov: «Juntámo-nos para celebrar o 10º aniversário de banda há dois anos no Optimus Alive (tanto para contar).»

Noidz: «Não faço ideia, mas devem estar bem também.»

Luminosa: «A única banda no activo das mencionadas. Um sonho meu desde sempre, de fazer world music ao estilo de Wardruna, Dead Can Dance e Irfan. Estamos a lançar uma música por mês. Estou ansioso por lançá-la ao vivo também.»

E rufem os tambores…
Comme Restus: «Não voltará, nunca.»

Novo single cá fora, agora é aguentar até Junho, quando “Vamos Todos Morrer” for lançado – isto é, se a profecia cósmica não se concretizar. Repto final: depois disto, vamos esperar mais seis anos ou doze? «Agora vou lanchar, amanhã não sei se estaremos cá. Nunca sabemos. Agora, que na teoria arrumei as tais casas da minha vida, quero muito fazer música a um ritmo que me habituei. O meu compromisso neste momento para comigo é apenas fazer música que eu goste de ouvir e poder levar o meu legado a sítios onde já estive e a outros novos onde não estive. A vida continua.»

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