Da Alemanha, Peripheral Cortex até pode ser considerada uma banda de death metal técnico, e é-o, mas a ênfase dada ao lado experimental torna-os... Peripheral Cortex: misantropia técnica

Origem: Alemanha
Género: technical death metal
Último lançamento: “God Kaiser Hell” (2020)
Editora: Vmbrella Records
Links: Facebook | Bandcamp
Entrevista e review: Diogo Ferreira

Da Alemanha, Peripheral Cortex até pode ser considerada uma banda de death metal técnico, e é-o, mas a ênfase dada ao lado experimental torna-os também uma banda vanguardista. Fica a conhecê-los.

«Começámos por ser uma verdadeira banda de technical death metal e acabámos por ser um pouco experimentais / avant-garde.»

Objectivos: «O nosso objectivo é trazer uma nova fusão de diferentes estilos de música. A música é uma mistura das nossas próprias influências e gostos, variando da música clássica moderna até ao jazz. Os sons mais notáveis para a maioria dos ouvintes serão provavelmente as vozes do Pat e o surgimento de saxofones em várias ocasiões. Começámos por ser uma verdadeira banda de technical death metal e acabámos por ser um pouco experimentais / avant-garde. Queremos expandir o lado experimental, divertindo-nos a trabalhar com diferentes influências fora do metal e dando ao género um novo sabor.»

Conceito: «O álbum deveria ter sido intitulado “The Fall of Humanity” porque as duas primeiras músicas que ensaiámos tinham “Apocalypse” e “120 Days of Sodom” como temáticas. E ainda têm, com as faixas “Imagine Bob Ross Painting Judgement Day” e “Ordinary Elitist Weekend”. Mas o Pat deixou a banda antes da gravação do EP “Rupture”. Ele juntou-se à banda em 2016 e deu às músicas uma identidade. O álbum é sobre a humanidade não funcionar adequadamente, com temas como misantropia, narcisismo, guerra, dúvida e término da vida. Como o Barney Greenway, dos Napalm Death, o Pat escreveu muitas letras socialmente críticas que se encaixavam bem na música.»

Influências e sonoridade: «Originalmente, começámos como uma típica banda técnica de death metal, inspirada nos principais nomes da cena (Obscura, Viraemia, Brain Drill, Necrophagist). No entanto, ao longo dos anos, descobrimos que não nos identificávamos com muitas coisas às quais lhe chamaríamos típicas do death metal. Não usamos roupas pretas e não saímos muito. Também ouvimos muitos estilos diferentes de música, além do death metal técnico. Embora existam muitos lançamentos decentes de tech-death, sentimos que a cena está a repetir-se e a ecoar-se a si mesma. Algumas influências fora do reino do metal são AKA Moon (jazz fusion), Le Grand Sbam e Mike Patton. Com isso, tentamos criar um som fresco numa cena saturada. Com músicas como “Detective Noir and the Cult of the Imperfect Circle”, seguimos definitivamente para uma abordagem mais livre e artística, pois essa música é basicamente baseada numa jam. O saxofone e o vocal duplo eram uma jam livre do Rob e do Pat. Estamos a planear inserir isto cada vez mais nos nossos lançamentos futuros, portanto esperem um pouco de loucura, sempre dentro da estrutura do tech-death como nossa linha de base.»

Review: Se não tens problemas de epilepsia, então podes ouvir estes berlinenses à vontade. Frenéticos e irrequietos, os Peripheral Cortex apostam tudo numa agressividade musical bastante técnica, como podes ouvir em temas complexos e experimentais como “Wanderlust Is Wanderer’s Death” (este que inclui um sabor jazz). Death metal brutal e técnico, algum vanguardismo e um certo teor industrial é o que podes esperar deste quarteto. Algo nos diz que os fãs de Anaal Nathrakh podem gostar disto.