“Whoosh!” é um disco feito por um grupo de amigos septuagenários que já muito viram e muito fizeram e que estão, na realidade, a... Deep Purple “Whoosh!”

Editora: earMusic
Data de lançamento: 07.08.2020
Género: hard rock
Nota: 3.5/5

“Whoosh!” é um disco feito por um grupo de amigos septuagenários que já muito viram e muito fizeram e que estão, na realidade, a viver os seus anos de maior descompressão e descomprometimento.

Como uma das bandas rock mais antigas ainda no activo, os Deep Purple já ultrapassaram os 20 álbuns, chegando, aliás, ao 21º com “Whoosh!”. Com uma formação estável há quase duas décadas, “Whoosh!” é um disco feito por um grupo de amigos septuagenários (apenas o guitarrista Steve Morse ainda está na casa dos 60) que já muito viram e muito fizeram e que estão, na realidade, a viver os seus anos de maior descompressão e descomprometimento. Afinal, esta é uma das bandas proto-metal que nos deu trabalhos como “…In Rock” (1970) e, certamente, não haveria heavy metal sem um grupo de nomes onde se insere Deep Purple, Led Zeppelin e Black Sabbath.

Porém, e por mais que este estatuto lhes possa proporcionar a posição de fazerem o que quiserem, isso não quer dizer que a crítica tenha de ser obrigatoriamente venial – até as grandes bandas têm os seus altos e baixos. Todas têm o seu “Turbo”, “The X Factor” e “St. Anger” ao lado do seu “Painkiller”, “Seventh Son of a Seventh Son” e “Master of Puppets”.

“Whoosh!” é um álbum sóbrio, mais soft-rock do que heavy-rock em muitas ocasiões, que tem a particularidade de todas as músicas (são 13) possuírem uma linha regular, não havendo um momento de enormíssimo destaque e, ao mesmo tempo, também não evidenciando partes que nos façam dizer que é horrível. Isso pode ser irritante para quem analisa e efémero para quem ouve – enquanto o primeiro não consegue explicar extremos, o segundo poderá passar rapidamente para outro disco e esquecer este. Todavia, é principalmente aqui que entra a descompressão e descomprometimento pelos quais a banda está a passar: não há nada mais a provar, faz-se apenas música descontraída que lhes sabe bem tocar/criar e originará um bom momentos para quem ouve.

Podia ser só e apenas isso, mais um álbum de uma banda com longa carreira que ficará no entulho de dezenas de lançamentos onde apenas uns três ou quatro realmente se destacam, mas os Deep Purple não se decidiram só por isso. Por mais que “Whoosh!” seja um registo regular, por vezes quase perfeito para música lounge, podemos encontrar algumas criações que vão do gospel ao funk, sempre com o hard rock como pedra angular, e guitarradas que vão do preenchimento ao lead do rock n’ roll (ainda que longe de um Ritchie Blackmore). Ao lado da voz singular e afinada de Ian Gillan e da bateria pouco complexa, mas certeira, de Ian Paice, é Don Airey quem mais se destaca com os seus teclados, proporcionando sempre muita atmosfera e vários leads/solos que calçam muito bem os sapatos do falecido génio John Lord (1941-2012).

Se estás à procura de tecnicismo e maluqueira, tens de recuar no catálogo uns bons 50 anos, mas se queres passar uns relaxados minutos ao som de um nome histórico que continua a fazer música audível e com uma interacção agradável numa sinergia entre banda e fãs, então “Woosh!” é para ti e para hoje.