Se gostas de black metal rude e atmosférico, e se tens interesse em tirar duas horas da tua vida mundana para entrar no universo... Paysage d’Hiver “Im Wald”

Editora: Kunsthall Produktionen
Data de lançamento: 26.06.2020
Género: black metal
Nota: 4/5

Se gostas de black metal rude e atmosférico, e se tens interesse em tirar duas horas da tua vida mundana para entrar no universo de Paysage d’Hiver, então “Im Wald” é para ti. Não te arrependerás!

Pouco interessado em pertencer ao rebanho, o suíço Wintherr, que também se inclui nas fileiras de Darkspace, tem em Paysage d’Hiver o seu projecto pessoal e solitário, uma postura que vai ao encontro da sonoridade que perpetua.

Com pouco mais de 20 anos de existência e inúmeros lançamentos na bagagem, o músico, por entre dois splits (um com Drudkh, por exemplo), não libertava nada a título pessoal e em longa-duração desde o aplaudido “Das Tor” (2013). Chegamos assim a “Im Wald”, mais um registo de Paysage d’Hiver que, com todo o seu negro aparato e assinatura muito particular, não é para toda a gente – e isto não é dito com intuito elitista ou hipster, só que, na verdade, esta entidade está mesmo muito impregnada nos confins do underground com longos trabalhos de black metal lo-fi. Por exemplo, este “Im Wald” dura umas boas duas horas, o que, para muitos, será logo um corte no entusiasmo, tendo-se em conta que vivemos numa era em que as nossas experiências musicais são vastamente alimentadas por playlists pré-definidas do Spotify e lyric-videos que nos saltitam no feed do YouTube.

Posto isto, Paysage d’Hiver é, essencialmente, para melómanos que ainda desejam absorver tudo de forma digna e completa, para pessoas que ainda gostam de tirar o vinil da estante, pô-lo a rodar, perder-se no artwork e, neste caso, ser engolido por duas horas de música imersiva.

Com faixas que vão dos 9 aos 19 minutos, exceptuando alguns interlúdios muito mais curtos, “Im Wald” é a típica viagem bucólica que Paysage d’Hiver já nos habituou desde a primeira demo de 1998. Às introduções com sons da floresta – seja vento, passos, ramos a partir ou carroças a pisarem terreno húmido – juntam-se as guitarras apresentadas em camadas sobre camadas, o que gera a principal atmosfera deste álbum. Um pouco ao contrário de “Das Tor”, este “Im Wald” é, em palpável medida, mais perceptível e inclui até leads mais épicos e melódicos que sobressaem em relação ao fundo espesso, ruidoso e repetitivo, sendo a repetição uma das ferramentas mais reconhecíveis do projecto. Acto contínuo, os sintetizadores também são muito mais utilizados agora, pairando de forma mais audível, protagonizando por vezes um papel preponderante na criação de sensações e dando a Paysage d’Hiver uma conotação mais espacial do que terrena em determinados momentos.

Se gostas de black metal rude e atmosférico, e se tens interesse em tirar duas horas da tua vida mundana para entrar no universo de Paysage d’Hiver, então “Im Wald” é para ti. Não te arrependerás!