Para fãs de black/death metal que cruza pestilência com atmosfera, Scáth na Déithe pretende relembrar importantes figuras da antiguidade irlandesa. Scáth na Déithe: lamentos eternos

Origem: República da Irlanda
Género: black/death/doom metal
Último lançamento: “The Dirge of Endless Mourning” (2020)
Editora: Vendetta Records
Links: Facebook | Bandcamp
Entrevista e review: Diogo Ferreira

Para fãs de black/death metal que cruza pestilência com atmosfera, Scáth na Déithe pretende relembrar importantes figuras da antiguidade irlandesa.

«O conceito lírico do álbum centra-se no facto de que figuras antigas do folclore irlandês e da História são muitas vezes deturpadas hoje em dia.»

Último lançamento: «”The Dirge of Endless Mourning” foi lançado em Janeiro de 2020 através da Vendetta Records. O objectivo desta gravação era fazer música enraizada no som black metal que explora elementos de death e doom metal através de estruturas musicais expansivas nas quatro faixas do álbum. Existe uma variação constante e um desenvolvimento contínuo ao longo das faixas, com o objectivo de se criar uma progressão narrativa na música. A atmosfera também é extremamente importante para as nossas gravações, de modo a retratar adequadamente a essência sobrenatural das letras.»

Conceito: «O conceito lírico do álbum centra-se no facto de que figuras antigas do folclore irlandês e da História são muitas vezes deturpadas hoje em dia. Esse conceito é demonstrado com quatro figuras femininas do folclore irlandês, com uma música a ser dedicada a cada uma. Muitas figuras do folclore irlandês foram esquecidas ou tiveram a sua história adaptada para se adequarem à nova religião cristã que chegou à Irlanda no início do Séc. V. Caorthannach, que serviu de base para a primeira faixa do álbum, sofreu esse destino – agora é representada como um mal pagão que tinha de ser destruído. No caso de Biddy Early – uma mulher sábia cuja história também inspirou as letras do álbum –, a igreja tentou activamente denunciá-la mesmo quando ainda era viva. As letras ao longo do álbum esforçam-se para transmitir a sensação de desespero ou tristeza que essas figuras devem sentir devido ao seu legado distorcido – o Bean Sídhe, aquele que está condenado a lamentar-se eternamente pelas famílias do velho Éire.»

Sonoridade: «Este som foi sempre criado com a intenção de me desafiar a criar músicas que fluam entre diferentes estilos e estados de espírito sem que as transições entre cada secção soem chocantes, ao mesmo tempo que cria uma sensação de se ser atraído para algum tipo de destino ou fim pela música. Em cada lançamento, este som fica mais desenvolvido e expandido. Acredito que os fãs de The Ruins of Beverast encontrarão algo na nossa música que os atrairá.»

Review: Ao segundo álbum, este projecto irlandês pretende relocar no seu devido lugar figuras ancestrais oriundas de uma ilha muito pagã e com uma cultura de sabedoria antiga muito própria – dos ritos à língua, tudo é muito particular naquela região insular. Musicalmente, somos convidados a viajar por um ambiente sobrenatural e atmosférico através de um black metal pestilento que se cruza com muito death e doom metal. Nota positiva também para o sentido narrativo que se sente nas quatro faixas.