A dança entre a guitarra de Stephen Carpenter e os sons de fundo de Frank Delgado é uma vitória que tornará “Ohms” num disco... Deftones “Ohms”

Editora: Reprise Records
Data de lançamento: 25.09.2020
Género: alternative metal
Nota: 3.5/5

A dança entre a guitarra de Stephen Carpenter e os sons de fundo de Frank Delgado é uma vitória que tornará “Ohms” num disco marcante na já longa carreira dos californianos.

Facto: nem todas as bandas que se mantêm no topo conseguem por lá andar com estabilidade. Enquanto umas demoram 10 anos a lançar um novo álbum (ora porque entram em hiato, ora porque estão em tours infindáveis), outras experimentam coisas novas que não caem no goto dos fãs e vão por aí abaixo. Os Deftones não se enquadram em nenhuma dessas duas situações. A lançarem álbuns em intervalos aceitáveis desde 1995, os norte-americanos têm realmente experimentado, mas essas experiências só lhes dão mais reconhecimento e maturidade.

De “White Pony” (2000) ao novo “Ohms”, os gurus do metal alternativo até podem manter a sua sonoridade muito particular, mas no fundo não se repetem descaradamente. Do alternative e nu-metal que já lhes conhecemos, os Deftones abriram um caminho que os levou a cenários sónicos atmosféricos e muito próximos do post-rock – e é precisamente isso que acontece com “Ohms”.

Sempre naquela corrente de mid-tempo fluido, Chino Moreno continua a ser o cantor que sempre nos habituou ao combinar melancolia com fúria e raiva, uma ambiguidade que poucas vozes são capazes de orquestrar. De irritante a mestre na criação de sensações através das suas interpretações, já se ouviu de tudo sobre Moreno, mas é essa uma das peculiaridades que deixam marca e que fazem os Deftones serem reconhecidos em poucos segundos.

Numa visão geral, “Ohms” é envolvente – espesso quando tem de ser mais metal, aberto quando precisa de acalmar. Todavia, é a primeira opção que melhor assenta neste disco, e quem está de parabéns é Stephen Carpenter com uns riffs muitíssimo intensos e cheios que evocam alt-metal, groove metal e post-rock – se dúvidas há, ouça-se o peso de “Genesis”, que inaugura, e a melodia da faixa-título, que encerra. Contudo, acreditamos que “Ohms” não soaria como soa se Carpenter estivesse sozinho – a verdade é que os arranjos electrónicos de Frank Delgado facultam o corpo sónico robusto que os Deftones precisam para serem tão atmosféricos como são agora, e essa dança, entre guitarra e sons de fundo, é uma vitória que tornará “Ohms” num disco marcante na já longa carreira dos californianos. Ou pelo menos até chegar o próximo.