Com muita gente ainda a desejar um novo álbum de System Of A Down, precisamos mesmo que bandas lendárias lancem música por causa disso? [Opinião] As bandas não nos devem música nova, e é tempo de ultrapassar isso

(Artigo da autoria de Rich Hobson)

Com muita gente ainda a desejar um novo álbum de System Of A Down, precisamos mesmo que bandas lendárias lancem música por causa disso?

Perguntem-se honestamente – precisamos de outro álbum de System Of A Down?

À luz de a banda ser anunciada como cabeça-de-cartaz para o domingo do Download 2020 [N.d.T.: e do VOA – Heavy Rock Festival 2020], este é o grande debate do momento: que direito têm para ainda andarem às voltas pelo circuito nostálgico quando não lançam um novo disco há 15 anos?

Façam outra pergunta: “E se eles lançassem um novo álbum… e se for uma porcaria?”

Os fãs de rock são estranhos. No momento em que uma banda atinge o ouro, as expectativas são definidas e essas expectativas são reforçadas com um punho de ferro. Perguntas são feitas a cada novo lançamento: “Devemos preocupar-nos com este álbum? Será que esta banda devia existir?”

Quanto mais influência uma banda possui, mais severas são as críticas contra elas. Seitas inteiras de fãs (e imprensa, vamos ser honestos) afiam as suas facas e esperam alegremente pelo momento em que uma banda em voga cai em desgraça. E às vezes está bem – quando a banda que criou “Master Of Puppets” acaba a produzir algo como “St. Anger”, perguntas são feitas – mas o verdadeiro pontapé é quando ouves uma frase que começa com: ‘Eles deveriam ter acabado depois de… ‘.

Façam outra pergunta: “E se eles lançassem um novo álbum… e se for uma porcaria?”

Porque eis o seguinte: bandas que ainda existem é uma coisa boa. Existem muito poucas (se existirem) bandas que alcançaram a longevidade e permaneceram no topo do jogo durante a sua existência, mas ter a ousadia de tentar e continuar a tentar é o que faz com que, às vezes, tudo valha a pena.

Se abandonássemos completamente as bandas que caíram ao longo dos anos, isso poderia poupar-nos um “Lulu” pelo caminho, mas também significa que nunca teríamos um “Hardwired…”, nunca teríamos um “We Are Not Your Kind”, nunca teríamos um “Firepower”, um “Pale Emperor”. Isso significa que nunca veríamos as bandas a desenvolverem-se e a começarem algo completamente novo – nenhum “Cowboys From Hell”, nenhum “King Of Everything”, nenhum “Celebrity Mansions”.

Os System Of A Down não lançam nada há 15 anos, e isso parecia ser menos preocupante na última vez que por cá andaram. Porquê? Bem, porque da última vez esperámos que eles voltassem e tocassem as músicas que adoramos, da maneira que as adoramos. E eles não o fizeram. Terão dificuldade em encontrar alguém que não tivesse ficado desapontado com o headline set da banda em 2017 – pareceu muito sem paixão e clínico para realmente se capturar a magia de por que é que alguém adorava a banda em primeiro lugar. Mas isso significa que eles nos devem um novo disco? Nem um pouco. Simplificando, é como esperar que um novo bebé possa criar um pouco de amor num casamento sem amor, e todos sabemos como isso acaba.

Não há garantia de que os System Of A Down que tivermos no próximo Verão sejam aqueles que se sentiram tão vitais quando regressaram no início da década. Poderá, absolutamente, ser um ganhar dinheiro cínico. E se for esse o caso, juntar-nos-emos a vocês para ir embora, abanando a cabeça tristemente, enquanto nos encaminhamos para ver uma das centenas de outras bandas que podemos ver noutros lugares. Mas, só por um momento, imaginem se não for assim.

As bandas revisitam os seus legados e usam-no como uma maneira de redescobrir o que elas – e os fãs – adoravam em primeiro lugar e reavivar essa ligação é, às vezes, a única coisa que mantém o carro na estrada. Já perdemos muitas bandas e, uma vez que elas se foram – verdadeiramente terminadas –, é isto. Sem regressos tardios, sem reinvenções inteligentes.

Portanto, às vezes, muito ocasionalmente, só precisas de esperar pelo melhor. Enquanto isso, devemos estar agradecidos por estas bandas estarem aqui enquanto ainda as temos.

Consultar artigo original em inglês