Neste “Hellbreaker”, a banda alemã procurou revigorar-se ao apresentar um disco cuja intensidade e descarga energética se mostram constantes do início... Motorjesus “Hellbreaker”

Editora: AFM Records
Data de lançamento: 09.04.2021
Género: hard rock / alt-metal
Nota: 4/5

Neste “Hellbreaker”, a banda alemã procurou revigorar-se ao apresentar um disco cuja intensidade e descarga energética se mostram constantes do início ao fim. Se vens à procura de power-ballads, não as vais encontrar aqui.

Não é novidade nenhuma que a Alemanha é um dos países europeus que mais exporta bandas de heavy metal e hard rock. No entanto, poucas são aquelas que conseguem trilhar o seu próprio caminho sem apresentarem um som muito agarrado aos veteranos Scorpions, Accept, Kreator ou Helloween. Felizmente esse não é o caso dos Motorjesus, cuja sonoridade híbrida combina elementos que vão desde o hard rock ao metal alternativo, passando ainda pelo punk.

Neste “Hellbreaker”, o sétimo registo de estúdio, a banda alemã procurou revigorar-se ao apresentar um disco cuja intensidade e descarga energética se mostram constantes do início ao fim. Se vens à procura de power-ballads, não as vais encontrar aqui.

O grande pilar do álbum é o trabalho das guitarras de Andy Peters e Patrick Wassenberg, que através de riffs corpulentos e harmonias solísticas, que têm tanto de NWOBHM como de metalcore, dão a consistência necessária ao álbum para que este não se torne apenas num debitar de malha atrás de malha, tal é a velocidade desenfreada com que o baterista Adam Borosch ataca as suas peles. Por outro lado, e numa dicotomia entre o vocal arranhado e melódico, Chris Birx apresenta-se também ele sempre coeso e inteligente na sua abordagem às diferentes dinâmicas exigidas para cada faixa.

Mas o que mais deslumbra neste “Hellbreaker” é mesmo a sua moldura sonora, a nitidez e minuciosidade com que se ouve cada instrumento, soando tudo de uma forma bastante harmoniosa e sem existirem grandes discrepâncias. Desta forma, é também importante elogiar o trabalho do produtor Dan Swanö na mistura, que não só conseguiu passar para o master final toda a pujança sonora que aqui escutamos como também todas as nuances instrumentais que merecessem ser destacadas.

“Hellbreaker” é assim desaconselhável a ser ouvido no carro, especialmente para aqueles que têm dificuldade em manter a velocidade estipulada. Mas se for para ouvir confinado em casa, podem e devem aumentar o som até ao 11.