Já que olhamos para um novo começo em 2020, este é o melhor momento para se deixarem de lado rótulos de género sexual desactualizados... Vai o ‘female-fronted metal’ finalmente morrer em 2020?

(Artigo da autoria de Emma Cownley)

Já que olhamos para um novo começo em 2020, este é o melhor momento para se deixarem de lado rótulos de género sexual desactualizados no metal.

O fim está próximo! Os melómanos têm usado o termo ‘female-fronted metal’ para categorizar bandas com vocalistas do sexo feminino há décadas, agrupando-as num ‘estilo’ desorganizado (totalmente sexista), que as separa dos seus colegas do sexo masculino e as rotula como uma excepção à regra.

Felizmente, o sino fúnebre pode finalmente estar a dobrar para a ideia desactualizada de que o ‘female-fronted metal’ é um estilo e progressos para mudar esta percepção estão a ser feitos constantemente.

Apenas no ano passado, Lacuna Coil, Within Temptation e Evanescence apareceram várias vezes no Official Rock and Metal Albums Top 40. Kobra and the Lotus tornaram-se na primeira banda ‘female-fronted’ a receber uma indicação para o Metal/Hard Music Album of the Year dos Juno Awards deste ano.

O Witches Hex Fest («Heavy metal fest featuring only true female-fronted bands. From old glories to newer assaults!») foi lançado nos EUA, adicionando mais um festival de metal feminino a uma lista cada vez maior.

Depois de estarem notavelmente sub-representadas nos alinhamentos dos festivais durante décadas, um número cada vez maior de mulheres está a conseguir conquistar vagas premium em alguns dos mais conhecidos festivais de metal da Europa.

Uma gama diversificada de bandas como Halestorm, Asagraum, Venom Prison, Cellar Darling e Burning Witches diluiu a testosterona em muitos cartazes em 2019 (embora ainda haja um longo caminho a percorrer no que diz respeito a muitos festivais), incluindo em eventos de primeira liga como Graspop e Download.

A evidência é clara – as mulheres são um elemento firme na cena metal, seja no palco ou à frente dele. Têm-nos deixado babados desde Warlock e Girlschool nos anos 80, embora significativamente superadas numericamente pelos pares masculinos. Portanto, à medida que avançamos para 2020, por que é que as mulheres ainda estão a ser separadas dos outros artistas?

Quando perdes um minuto a considerar o que realmente é um estilo, podes ver imediatamente por que é que a morte iminente é totalmente merecida. Um estilo deve dizer-nos algo sobre o tipo de metal que estamos a ouvir. As características que o diferenciam dos seus irmãos musicais.

Thrash metal é muito diferente de symphonic metal. Black metal não se parece nada com nu-metal. Com isso em conta, é ‘female fronted’ realmente eficaz como estilo? Caraças. Não.

Quando tentas usar o sexo para determinar o estilo de uma banda, estás a juntar Kittie com Babymetal, Arch Enemy com Windhand e Nightwish com Svalbard. Todas essas bandas são female-led e nenhuma delas soa remotamente parecida. A única coisa que ‘female-fronted’ ajuda a determinar é o sexo dos artistas.

Embora haja argumento sobre a singularidade das vozes femininas, isso não sugere necessariamente que o som seja mais suave – especialmente quando se consideram artistas como Angela Gossow e Sabina Classen.

Como fãs, somos inteligentes o suficiente para saber que o ‘female-fronted metal’ não inclui apenas os estilos operáticos do metal sinfónico – as mulheres podem ser encontradas em todos os estilos de metal, executando todos os tipos de vozes.

A segregação do género sexual através do género musical é ainda mais redundante quando se examinam as atitudes modernas em relação às mulheres na música. As perspectivas estão a mudar, e abraçar as mulheres e a feminilidade na música é relativamente comum agora.

Artistas a solo como Myrkur, A.A. Williams, Chelsea Wolfe e Emma Ruth Rundle estão a ser aceites abertamente pelos fãs de metal, mesmo que não se encaixem necessariamente no arquétipo do metal. Quanto mais ‘despertamos’ para a desigualdade na nossa sociedade, mais desconfortáveis ​​esses rótulos sexistas começam a ser.

Há pouca discussão a ser feita sobre vocalistas femininas serem objectos sexuais sem talento usados ​​para atrair fãs predominantemente masculinos. As mulheres têm demonstrado consistentemente a sua capacidade de rivalizar com o talento de qualquer homem contemporâneo – Doro Pesch, Joan Jett e Kate De Lombaert, todas têm habilidade comprovada, comercialização e poder de permanência a longo-prazo.

Olhando para a próxima década, a trajectória ascendente continua para as mulheres no metal. Babymetal garantiram um dos principais lugares do Download 2020 e juntar-se-ão a Amaranthe e Baroness no alinhamento do Rock Am Ring.

Girlschool estão de volta numa digressão pelo Reino Unido e a Doro deve iniciar uma digressão europeia em Março. Arch Enemy estão a planear começar a compor um novo álbum e esperamos novo material de Burning Witches e Delain nos primeiros meses de 2020. E isto é apenas a ponta do iceberg do metal.

Com tudo isto em mente, faz sentido eliminar esta divisão sexista e ultrapassada e avançar para a próxima década como fãs de metal unidos. Vamos ser sinceros, para começar, esse estilo nunca foi um estilo; foi uma maneira prática para as pessoas escolherem as mulheres numa cena dominada por homens. Hoje em dia, não é uma novidade rara ver uma mulher com uma guitarra ou a fazer death growling ao microfone – é muito comum.

Tudo considerado, é tempo de matarmos esta coisa. Vou pegar no meu machado…

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Consultar artigo original em inglês.