Num rescaldo de um horrendo 2020, conversámos com Siegfried "The Dragonslayer" Samer, vocalista dos Dragony, sobre o novo álbum “Viribus Unitis”.... Dragony: «O novo disco tem um significado oculto que é muito relevante para a vida de hoje»

Num rescaldo de um horrendo 2020, conversámos com Siegfried “The Dragonslayer” Samer, vocalista dos Dragony, sobre o novo álbum “Viribus Unitis”. O mais recente disco apresenta-se como um dos mais ambiciosos projectos conceptuais da banda e decerto irá impactar o panorama symphonic/power metal em 2021.

«Estamos muito bem tal como demonstra a nossa carreira, sendo a estabilidade o mais fulcral.»

Siegfried “The Dragonslayer” Samer

Com este mais recente virar de página, esta pergunta é inevitável: como sentiram o efeito da pandemia na produção deste novo álbum e na vossa carreira, sobretudo quanto a concertos?
Em relação ao álbum, a pandemia custou-nos um bocado de tempo na produção devido a atrasos em certas coisas, mas, no cômputo geral, não foi muito mau. Em relação aos concertos, a situação foi muito pior. Era suposto fazermos uma pequena digressão com os Twilight Force em Abril de 2020, mas foi cancelada, obviamente, tal como muitas outras digressões. Para nós, não foi péssimo, pois continuamos a ter empregos para além da banda, mas para bandas a tempo inteiro foi um ano extremamente difícil. E não só para as bandas, também para as equipas de apoio, técnicos de palco e de bastidores, engenheiros de som e de luz, que foram muito prejudicados.

Assinaram com a Napalm Records em 2020, tornando-o num ano bem mais interessante do que se poderia imaginar. Este lançamento é a essência daquilo que querem fazer no mundo do metal, agora que estão numa das mais prestigiadas editoras do mundo?
Absolutamente! Estamos muito felizes por termos assinado com a Napalm Records depois de 13 óptimos anos numa viagem pelas terras gloriosas do metal épico. [risos] É um grande feito para nós – quase uma confirmação –, assinar com uma das mais importantes produtoras mundiais, após dedicarmos tanto tempo, esforço e dinheiro à banda com a finalidade de a fazer crescer. Estamos ansiosos por esta nova cooperação e estamos, claro, muito orgulhosos do novo álbum que achamos ser fantástico para primeiro lançamento com a editora.

Neste quarto álbum fornecem uma abordagem modificada sobre parte da vida do Príncipe Herdeiro Rodolfo da Áustria, abordando temas bem mais obscuros, como a demonologia e a magia negra. Como pensaram neste conceito e quem dominou a vertente da composição das letras?
Creio que o conceito para o álbum surgiu quando estávamos em Miami, para o 70000 Tons of Metal Cruise, em 2019. Estávamos a discutir possíveis conceitos para o álbum e julgo ter sido o nosso baixista, o Herb, a ter a ideia de se fazer esta “versão modificada” do Kaiser Franz Joseph, baptizando-o “Cyber Punk Joseph”. Adorámos a ideia e trabalhámos nela. Ao longo da produção do álbum, escrevi as letras e tentei encaixá-las na narrativa que tinha em mente, com as melodias dos temas que tínhamos composto. Acho que é um conceito único inspirado em filmes como “Diário Secreto de um Caçador de Vampiros”, “Nazis Invasores” e “Sacanas Sem Lei”, que também lidam com eventos históricos reais de uma forma muito alternativa.

O vosso metal sinfónico distancia-se grandemente de muito do power/symphonic mais habitual, focando-se em fortes e poderosas alegorias históricas e fantasiosas, mas sempre com uma roupagem modificada. Este álbum aborda as vossas raízes mais pessoais, não só patriótica como musicalmente, com um regresso a uma abordagem muito similar à de “Legends” (2011). Poderá este álbum ser o mais épico das vossas carreiras?
Julgo que é o trabalho mais equilibrado da nossa carreira. Combina o power metal mais directo com a abordagem de álbum conceptual da nossa estreia “Legends” – que tinha pontos fracos na produção e composição de letras devido à nossa falta de experiência nesses campos – e a experiência lírica e as orquestrações dos nossos álbuns mais recentes. Além disso, desta vez, atentámos a uma produção mais moderna para se obter um som mais pesado e poderoso, relevando as guitarras, e contratámos Seeb Levermann, dos Orden Ogan, para produzir o som do álbum. Acho que ele fez um trabalho fantástico e o som encaixa perfeitamente no material criativo de “Viribus Unitis”!

Qual foi a principal mensagem que quiseram transmitir com este “Viribus Unitis”?
Em primeiro lugar, queremos entreter os ouvintes, claro. Não somos uma banda crítica ao nível político e social, apenas queremos divertir-nos. No entanto, o novo disco tem certamente um significado oculto que é muito relevante para a vida de hoje: estamos apenas a dar notícias falsas sobre a monarquia de Habsburgo com esta narrativa. Claro, somos criativos nisso e tentamos explicar as diferenças entre a nossa história e a verdadeira, mas também ilustra que, nestes nossos dias de Internet, é mais importante do que nunca verificar as nossas fontes, com o objectivo de aprender sobre a real origem das coisas, não nos limitando a seguir cegamente o que nos está a ser vendido como verdadeiro.

Desde a vossa fundação, têm tido o talento de tocar ao lado de ícones e pares da música que se apresentam, comercialmente, com mais peso. Desde então, os Dragony têm suportado essas bandas e decerto que o fazem com todo o prazer. Com este lançamento, e com quase 15 anos de carreira, acham que está na altura de dominar festivais e concertos com várias bandas? Sentem que este “Viribus Unitis” é o passaporte ideal para isso?
Claro que esse seria o objectivo! Creio que ainda precisaríamos de mais uma ou duas digressões com bandas importantes do nosso género, como Powerwolf, Sabaton ou Gloryhammer, para obtermos uma audiência maior, mas, globalmente, estamos muito bem tal como demonstra a nossa carreira, sendo a estabilidade o mais fulcral. Nunca aspirámos ao topo do género, mas temos aumentado a nossa base de fãs continuamente, o que ajuda a ter fãs muito leais e dedicados, algo essencial numa altura em que muitos artistas e bandas são, muitas vezes, apenas as figuras do mês. Temos feito o nosso trabalho há quase 15 anos, como disseram e bem, e nunca fomos influenciados por tendências e modas do momento – apenas tocamos o que gostamos de ouvir e isso é o que vamos continuar a fazer!