Ao longo de 11 faixas vamos testemunhar experiências científicas que procuram o elixir da imortalidade, espíritos que vagueiam, vampiros e mortos-vivos. Carach Angren “Franckensteina Strataemontanus”

Editora: Season Of Mist
Data de lançamento: 26.06.2020
Género: symphonic black metal
Nota: 4/5

Ao longo de 11 faixas vamos testemunhar experiências científicas que procuram o elixir da imortalidade, espíritos que vagueiam, vampiros e mortos-vivos.

Recentemente reduzidos a dupla, os Carach Angren chegam ao sexto álbum “Franckensteina Strataemontanus” e com isso mais uma história de terror. Recuperando Conrad Dippel (1673-1734), um alquimista, teólogo e médico alemão conhecido por utilizar técnicas bizarras, que inspirou Mary Shelley (1797-1851) a escrever “Frankenstein” (1818), os holandeses acabam por se inspirar em ambos de modo a criarem mais uma narrativa com assinatura e reviravoltas muito próprias que combinam factos e ficção. Ao longo de 11 faixas vamos testemunhar experiências científicas que procuram o elixir da imortalidade, espíritos que vagueiam, vampiros e mortos-vivos.

Musicalmente, e com os Carach Angren a terem uma visão muito particular da forma como criam e inserem as suas orquestrações em relação ao ambiente e cenário da história que estão a contar, “Scourged Ghoul Undead” oferece os primeiros arranjos sonoros com pitadas de sci-fi, seguindo-se as marteladas pungentes do tema-título que inclui abordagens ao metal industrial.

“Sewn for Solitude” apresenta-se com um frenesim de emoções alimentadas por uma bateria incessante e por orquestrações que crescem da negritude e de alguma dissonância inquietante para uma elegância melódica, e “Operation Compass” leva-nos ao Norte de África lavrado pela II Guerra Mundial numa composição que tinha claramente de possuir um teor belicista e marcial – por outras palavras, uma marcha imperial obscura que, com a inclusão de um segmento mais melódico, se torna também numa valsa condenada pelos zombies que dali vão emergir.

A oitava “Der Vampir von Nürnberg” deverá ser faixa mais completa do álbum e com a qual melhor absorvemos a intenção criativa dos Carach Angren: riffs incisivos, orquestrações terroríficas (que mais uma vez, em certos pedaços, aludem ao sci-fi), bateria nuclear e vozes diversificadas que vão do berro ao discurso inflamado.

Assim, o regresso aos discos destes emergentes contadores de histórias de terror prossegue na mesma senda de discos anteriores, mais com algumas novidades que à vista desarmada podem não ser descaradamente perceptíveis mas que, porém, existem. Como referido logo no início desta análise, os Carach Angren têm a capacidade de não embrulhar as suas composições com orquestrações só porque tem de ser, mas porque a sua inclinação e paixão neoclássicas assim o exige – isto é, os holandeses têm o cuidado de criar e utilizar arranjos que prestem um serviço à narrativa e neste caso, em “Franckensteina Strataemontanus”, misturam orquestrações cinematográficas com artefactos alusivos à ficção-científica. Acto contínuo, e por mais que as guitarras tenham a sua posição neste trabalho com riffs cortantes e alguns leads preponderantes, Ardek (teclados) chegou-se à frente e fez deste álbum o mais orquestral de todos, ainda que lhe possa faltar algumas melodias épicas e ambientes emocionalmente trágicos de músicas antigas como “When Crows Tick on Windows” ou “Charles Francis Coghlan”. Por fim, Seregor apresenta-se como um vocalista muitíssimo versátil, tanto na mistura de inglês com germânico como na árdua tarefa de executar o papel de várias personagens com várias personalidades e implementações vocais.