“Chaosophy” é um disco relevante que nos apresenta um bom exemplo daquilo que o death metal de qualidade e com membros experientes deve ser. Automb “Chaosophy”

Editora: Witching Hour Productions
Data de lançamento: 27.03.2020
Género: blackened death metal
Nota: 3.5/5

“Chaosophy” é um disco relevante que nos apresenta um bom exemplo daquilo que o death metal de qualidade e com membros experientes deve ser.

Naturais dos Estados Unidos, os Automb praticam um tipo de black metal que nos deixa algo indecisos, talvez por optarem por uma mescla de estilos que contemplam a melodia e agressividade sueca, com nomes como Dissection, Marduk e Dark Funeral à cabeça e, também, a incessante marcha do death metal norte-americano, tendo como principais influências Morbid Angel (ouça-se “Cosmic Tyranny”, por exemplo). Pelo meio, ainda há lugar para a inclusão muito simbólica de algum war metal, muito na linha de Blasphemy, e também da passada insana do blackened death metal polaco, com Vader e Behemoth a preencherem a lista de influências. Talvez tenha tudo a ver com a proveniência dos membros da banda, anteriores músicos de baluartes como Necrophagia ou Morbid Angel.

Convenhamos que “Chaosophy” não é um disco revelador ou que nos faça cair os queixos por uma característica típica, mas prejudicial – a ausência de novidades. “Chaosophy” é um trabalho realizado por profissionais e que certamente nos fará recordar muito do que de melhor se fez nos últimos anos nos géneros a que a banda se dedica. Por exemplo, o jogo desenfreado de guitarras e bateria em “Hel” e “Transmigration Omega” recorda-nos imediatamente de trabalhos como “Thelema 666”, ao passo que as secções mais melódicas ou lentas bebem directamente de “The Somberlain” e “Storm Of The Light’s Bane”, ainda que, neste último exemplo, sem exageros descarados. Tecnicamente, os Automb actuais são ‘nem carne, nem peixe’ – ainda que a qualidade instrumental esteja bem presente no seu todo em “Chaosophy”, também não se trata de um registo de técnica magistral. Parece-nos, porém, que a ideia não passa pela demonstração de dotes técnicos, mas pela criação de um disco que tem pontos muito fortes, caso de “Ragnarok” (nitidamente o tema mais bem conseguido do disco), em que ouvimos algumas referências (uma vez mais) de Dissection, sempre ligeiras e com assinatura própria.

Ainda que se trate de um registo relativamente simples, sem muitas camadas por cima de camadas, não é um trabalho de audição imediata e, à terceira rodagem, soa-nos muito melhor do que à primeira, em que, praticamente, ouvimos um disco de homenagem a meia-dúzia de bandas que tão bem conhecemos e que nada acrescenta. Com mais rodagens passamos a descobrir passagens ambientais, atmosféricas e épicas, algo que cresce a cada nova escuta. É realmente necessário ouvir “Chaosophy” umas quantas vezes para não cairmos no erro imediato de dizer que é apenas mais uma banda de blackened death metal cujos elementos devem a sua carreira às bandas anteriores por onde passaram. Na verdade, quem dera que, por exemplo, os Morbid Angel se encontrassem neste momento à altura dos Automb.

A produção em geral recupera a tradição clássica da naturalidade sonora, do som cheio e com aquele bass típico dos anos 1990. Infelizmente, existem triggers (no pedal duplo são mais do que notórios), o que corta um pouco da mística que o trabalho poderia ter. Tudo bem pesado, “Chaosophy” é um disco relevante que nos apresenta um bom exemplo daquilo que o death metal de qualidade e com membros experientes deve ser. Se é verdade que (ainda) não apresenta um som indicutivelmente novo, com “Chaosophy”, os Automb dão um passo em frente nesse trajecto e fazem-nos crer que o melhor ainda está por vir.