“Consequence of Time” é um álbum formado nos moldes da escola retro do heavy e doom metal. Pale Divine “Consequence of Time”

Editora: Cruz del Sur Music
Data de lançamento: 26.06.2020
Género: heavy/doom metal
Nota: 4/5

“Consequence of Time” é um álbum formado nos moldes da escola retro do heavy e doom metal.

Os doomsters Pale Divine assinalam 25 anos no activo com a edição do sexto álbum da sua discografia, “Consequence of Time”, o primeiro pela Cruz del Sur Music, editora com um culto muito respeitável nos meandros do underground. Outra novidade resultante do longo processo de amadurecimento destes norte-americanos passa pela integração do guitarrista/vocalista Dana Ortt, ex-Beelzefuzz, no novo line-up. Greg Diener, que agora partilha as funções de guitarrista e vocalista com Dana Ortt, e o baterista Darin McCloskey, também integravam esse projecto agora extinto. Ron McGinnis é o baixista que completa a secção rítmica na formação dos Pale Divine. O grau de familiaridade e empatia previamente existente entre os músicos só veio facilitar o entrosamento notável entre os dois guitarristas, permitindo ao conjunto potenciar a dinâmica de grupo pelo recurso às características distintas e complementares dos dois vocalistas. A entrada de Dana representa uma dupla mais-valia na renovação da sonoridade dos Pale Divine.

“Consequence of Time” é um álbum composto por oito temas classificados pelas diversas ramificações genéricas do doom metal que se estende para além dos 40 minutos. Apesar do estatuto de veteranos e da data comemorativa, a oferta dos Pale Divine não se limita a reproduzir o tronco central do seu fundo de catálogo como anuncia o tema de abertura “Tyrants & Pawns” ou a faixa-título. Sendo a última a faixa mais longa do álbum, com uma performance calculada e eloquente acima dos 10 minutos de duração, é a que melhor resume o legado da banda que agora segue uma orientação em sintonia com as coordenadas do heavy metal épico e melódico.

“Phantasmagoria” inaugura a segunda metade do alinhamento. É um dos melhores temas e cresce enraizado nas sonoridades doom mais lentas e arrastadas, e evolui sobre uma estrutura progressiva com riffs pastosos, num ambiente de bizarro misticismo. “Saints of Fire” é a valsa que encerra com chave de ouro entre as melhores faixas do álbum – um tema discreto assente no andamento moderado da secção rítmica e na qualidade esponjosa das guitarras corpulentas, estendendo a passadeira vermelha a uma vocalização luxuriosa de contornos épicos.

Para além dos exemplos destacados até aqui, uma outra porção deste alinhamento é composta por outros quatro temas. Tratam-se de quatro composições cuja duração ronda os quatro minutos e que se alimentam em exclusivo da estética hard n’ heavy ou hard rock da década de 1970, segundo algumas variações: “Satan in Starlight”, um tema mid-tempo de heavy metal convencional com uma interpretação vocal a la Dio e de composição muito simples; “Broken Martyr” prossegue na mesma linha de riffs pesados e melodias lindinhas com vozes limpas; “Shadow’s Own” é o tema mais breve de todos, que se diferencia tanto pela cadência groovada e riffs hendrixianos como pela interpretação simultânea dos dois vocalistas; “No Escape”, a penúltima faixa indexada, tem num andamento mais up-beat, em que se destaca o duelo e o diálogo corrido entre as guitarras num tom muito semelhante e alinhado com os graves da vocalização.

“Consequence of Time” é um álbum formado nos moldes da escola retro do heavy e doom metal, focado na energia e dinamismo das composições, sem pretensiosimos poéticos, cuja química se deve ao composto de riffs pesados enquadrados pelas melodias épicas e agradáveis das guitarras de Dana Ortt e Greg Diener, sustentados pela envergadura da secção rítmica forte e coesa formada por Darin McCloskey e Ron McGinnis.