Prika Amaral, das Nervosa, fala sobre a situação do Brasil em 2020 e a vontade de tocar em Portugal em 2021. Prika (Nervosa): «Sinto vergonha da situação actual do Brasil» (c/ áudio)
Foto: cortesia Napalm Records

Com um novo álbum, intitulado “Perpetual Chaos”, a sair em Janeiro de 2021, as Nervosa acutilaram a sua pujança thrash/death metal, não só através da guitarra furiosa de Prika Amaral, mas também devido à voz diabólica de Diva Satanica, ao baixo presente de Mia Wallace e à bateria arrasadora da surpreendente Eleni Nota.

No departamento lírico, as letras são novamente muito agressivas e críticas, havendo todo um ataque ao domínio das elites. Se por um lado, o que está mal aos seus olhos é o que lhes dá inspiração, por outro lado também é algo que gostariam de ver erradicado. Em declarações à Metal Hammer Portugal, Prika fala do Brasil actual. «Eu sinto vergonha, na verdade, da situação actual do Brasil. O Brasil é um país maravilhoso, tenho muito orgulho de ser brasileira, gosto muito das pessoas, dos brasileiros em si, mas vivemos um momento muito complicado. Elegemos o pior presidente da História do Brasil, ou um dos piores, regredimos muitos anos, porque o actual presidente tem um discurso muito radical, muito preconceituoso. Hoje, o Brasil está dividido. (…) Para este disco, procurei não focar muito nisso [em Bolsonaro], porque senão ia falar só disso no disco inteiro. Procurei ter um olho um pouco mais aberto para várias coisas, e também reparei que isto está a acontecer em muitos outros países. Vimos isto a acontecer nos Estados Unidos numa proporção um pouco diferente mas não muito abaixo do que foi no Brasil. Vimos vários líderes mundiais a mostrarem a verdadeira face. Isso inspirou-me muito a escrever, não só sobre o Brasil, mas sobre o mundo inteiro. Mas há músicas dedicadas especialmente ao que acontece no Brasil porque é a minha realidade, é o que conheço melhor.»

Ouve a resposta completa abaixo.

Com um following visível em Portugal, as Nervosa, com Prika como porta-voz, trabalham incessantemente para que o nosso país seja incluído nas rotas europeias das suas digressões. «É importante tocarmos em Portugal! A gente trabalha para isso. Espero conseguir ir a Portugal no ano que vem», diz.

Ouve a resposta completa abaixo.

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