Um registo mais simples, mais directo e mais acessível, algo que os My Dying Bride já pretendiam mesmo antes de se... My Dying Bride “The Ghost of Orion”

Editora: Nuclear Blast
Data de lançamento: 06.03.2020
Género: doom metal
Nota: 3.5/5

Um registo mais simples, mais directo e mais acessível, algo que os My Dying Bride já pretendiam mesmo antes de se mudarem para a gigante Nuclear Blast.

Os últimos anos no seio dos My Dying Bride não foram fáceis. Se, por um lado, a banda enfrentou a saída de alguns membros, por outro, a situação mais grave aconteceu na vida pessoal do vocalista Aaron Stainthorpe que assistiu à luta que a sua filha, ainda criança, teve de suportar contra um cancro. Aaron afastou-se e quase abandonou a banda que ajudou a fundar, mas o guitarrista e também membro-fundador Andrew Craighan pegou no leme e, à semelhança de “Feel the Misery” (2015), compôs este “The Ghost of Orion” praticamente em isolamento.

Maleitas da vida à parte, “The Ghost of Orion” não possui a complexidade e atmosfera cheia de discos como “Feel the Misery” ou “The Map of All Our Failures” (2012), sendo um registo mais simples, mais directo e mais acessível, algo que os My Dying Bride já pretendiam mesmo antes de se mudarem para a gigante Nuclear Blast.

Quase como se tivessem voltado aos tempos de “For Lies I Sire” (2009), que também não é propriamente um álbum de proporções complexas, a nova proposta dos britânicos rege-se essencialmente pelas guitarras de Andrew Craighan. E ainda que continuemos a apontar a simplicidade musical aqui presente, todos os ingredientes do guitarrista estão presentes, com destaque para os bends e para o som distorcido que paira solitário e quase em fade-out depois de dado um acorde ou um conjunto de notas meticulosamente pensadas.

Posto isto, faixas como “Your Broken Shore”, “To Outlive the Gods” ou “Tired of Tears” são, apesar da concepção deste disco, típicas de My Dying Bride e também as melhores deste novo conjunto de oito composições. Mas é depois que nos parece que o álbum morre um pouco, com, por exemplo, “The Long Black Land” a ser mais difícil de absorver devido à sua lentidão de desenvolvimento, quase como se nem tivesse sido pensada para a voz de Aaron Stainthorpe, o que nos leva a recordar o que o vocalista contou à Metal Hammer Portugal: «Todo o trabalho em estúdio foi um pesadelo para mim, tão difícil voltar a isto, quase senti que ia sair quando voltámos a gravar. Foi um período muito duro, e estou a batalhar para voltar a estar totalmente ligado a My Dying Bride, mas está a surgir.» Isto não quer dizer que Stainthorpe tenha ficado aquém dos seus talentos – antes pelo contrário, pois é um cantor exemplar –, mas a sua menor presença aqui e ali prova o que confessou.

Todavia, e depois de um período tão turbulento, não podemos deixar de louvar a perseverança desta tão importante banda de doom metal e aceitar que quiseram, apesar de tudo, experimentar um novo conceito musical que fosse mais acessível, mas sempre melódico, melancólico e com um sentido de condenação como só os My Dying Bride sabem projectar.