Lançado no início de Outubro pela Century Media Records, “Heart Like a Grave” é o título do novo trabalho dos Insomnium, e, por isso,... Niilo Sevänen (Insomnium): «É um álbum gratificante – quando entrares, nunca mais vais sair»

Lançado no início de Outubro pela Century Media Records, “Heart Like a Grave” é o título do novo trabalho dos Insomnium, e, por isso, a Metal Hammer Portugal chegou à fala com Niilo Sevänen, vocalista e baixista do colectivo nórdico.

Sabendo de antemão que este disco é uma espécie de hino à Finlândia e ao seu folclore, com temas como “Wail of the North” e “Karelia”, quisemos saber quanto realmente do país está incluído neste novo trabalho. Niilo explica: «Acho que muita gente diz que Insomnium soa imediatamente a música finlandesa, [que] as melodias são tão distintamente finlandesas que este tipo de banda não pode vir de nenhuma outra parte do mundo. Acho que é verdade. O nosso sentido de melodia é muito finlandês. O conceito lírico deste álbum [é sobre] os contos mais dolorosos e tristes da Finlândia. As canções, contos e poemas mais tristes. Usámos todo esse material popular que é familiar a todo o povo finlandês. E, claro, na composição, nas melodias, podem encontrar aquele sentimento finlandês. Portanto, é um álbum muito finlandês em vários aspectos.»

Tendo em conta que a banda tem obtido notas sempre muito altas a cada álbum que passa, e já lá vão oito, questionámos Niilo sobre se esse passado representa pressão sempre que um novo disco é criado ou se olha para isso como um empurrão positivo. «Acho que nenhum de nós sente pressão por causa do que fizemos antes ou o quão bem criticados fomos antes. Não pensamos nas expectativas dos nossos fãs, editora, imprensa ou de mais alguém. Apenas começamos a fazer música, e fazemos o melhor tipo de música que conseguimos, vem mesmo do coração. Não tentamos agradar a mais ninguém. Apenas queremos fazer o tipo de música que adoramos. Desta vez saiu assim, portanto acho que é uma das razões por ainda aqui estarmos após 22 anos. Agora somos bastante conhecidos. Não tentamos seguir modas ou pensar no que é popular ou no que poderia vender muitos discos. Felizmente temos sucesso em satisfazer outras pessoas, é um bónus, mas primeiro é música egoísta, fazemo-la para nós próprios, e temos sorte que outras pessoas também gostem. Mas é música muito honesta, vem da alma.»

Ouvindo-se o disco com as suas guitarras afiadas, o growling melancólico, a utilização de orquestrações e o contraste entre áspero e suave, perguntámos a Niilo se vê “Heart Like a Grave” como o álbum mais épico que os Insomnium fizeram. O finlandês fala em banda-sonora atmosférica. «É o álbum mais longo que fizemos, tem mais de uma hora. Acho que há muita variedade, canções diferentes, as mais curtas e as mais longas e progressivas, algumas canções até podem ser descritas como baladas, como “Heart Like a Grave” e “And Bells They Toll”. Mais para o fim, acho que as três últimas faixas têm mais de sete minutos, têm aquele sentimento de banda-sonora. Portanto, a primeira metade do álbum é um pouco mais veloz e há canções mais curtas, mas no fim há aquela banda-sonora atmosférica que podia aparecer num filme. Acho que é muito porreiro. Portanto, é épico em vários aspectos. É um álbum gratificante. Quando entrares, nunca mais vais sair. E é esse tipo de música que queremos fazer. Não é assim tão fácil.»

Com o guitarrista Ville Friman a ter responsabilidades perante a universidade de York, longas digressões estão fora de questão para este membro. Assim, Jani Liimatainen, que já tinha ligações aos Insomnium, acabou por ser integrado na banda no Verão de 2018, tornando-se o terceiro guitarrista. Nas declarações seguintes, o nosso entrevistado remete desde já o colega para uma posição importante no seio do grupo, como poderia ser de esperar quando falamos de um músico que tem o seu nome assinado em colectivos como Sonata Arctica e The Dark Element. «Já recrutámos [o Jani Liimatainen] no ano passado. Portanto já teve um papel importante na criação deste álbum. Há três faixas em que ele contribuiu como compositor. E, claro, é um grande músico e compositor, [é um] vocalista e guitarrista muito habilidoso. É um músico maravilhoso. Assim, há mais uma pessoa a fazer músicas, que dá ideias criativas; portanto o Jani já é uma parte importante da banda. Como o Markus Vanhala [guitarra]… Quando ele se juntou à banda, percebeu logo o tipo de essência dos Insomnium, como é que temos de soar. Todo o material que o Jani compôs soa a Insomnium. As pessoas que ouvirem o álbum e que não verifiquem quem fez cada música, não vão adivinhar onde é que o Jani esteve envolvido. Tem feito um grande trabalho e já é uma parte importante da banda.»

Com 22 anos de carreira e com digressões cada vez maiores, o cansaço e as saudades de casa devem obviamente começar a dar ar de si, como já foi evidenciado por inúmeros outros músicos, sendo o vocalista de Opeth o mais notado nesse aspecto recentemente. Niilo, por seu lado, está muito satisfeito com a situação vivida em Insomnium. «Sinto-me óptimo em digressão, estou muito entusiasmado, e acho que com Insomnium foi sempre a subir a cada álbum. Ainda é muito entusiasmante e interessante ver onde podemos chegar com a nossa música. De momento, já não tenho que ir para um emprego, só faço música, adoro mesmo esta situação. Espero que dure o mais possível. Estou muito entusiasmado por ir em digressão. Dar concertos ainda é a cena que adoro. Fazer nova música e dar concertos, é o que adoro. Quando estás muito em digressão, tens de estar longe de casa, portanto é claro que vais sentir saudades de casa e das pessoas. Mas enquanto houver um equilíbrio, para que continues a ter tempo para estar em casa, então está tudo bem. Penso que até agora é uma boa situação para nós. As digressões são maiores, temos mais fãs a cada álbum e estou ansioso por dar estes concertos. Tenho a certeza que esta digressão vai ser óptima.»