Isto é punk-hardcore à sueca, rock de combate. Ao quinto álbum, os Refused regressam com 10 novos temas, reunidos em "War Music", servidos numa... Refused “War Music”

Editora: Spinefarm Records
Data de lançamento: 18.10.2019
Género: punk / hardcore
Nota: 4/5

Isto é punk-hardcore à sueca, rock de combate. Ao quinto álbum, os Refused regressam com 10 novos temas, reunidos em “War Music”, servidos numa mistura de punk-rock melódico e hardcore, acompanhada de um manifesto político de incentivo à luta social pela insubordinação e à desobediência civil. No comunicado de imprensa, todas as letras são rodeadas por citações e referências literárias de artistas e políticos como Ulrike Meinhof, Pussy Riot, Oscar Wilde, Leon Trotsky, William Blake, John Zorn, Bertold Brecht, entre outros.

“War Music” é um regresso em pé-de-guerra com o estado a que chegou a vida no planeta Terra: com a ascensão da extrema-direita um pouco por todo o mundo, com a falta de consciência ecológica dos líderes das maiores economias mundiais, com a brutalidade duma sociedade capitalista absolutamente desequilibrada do ponto de vista humanitário.

Os Refused gritam palavras de ordem desafiantes da boca para fora pela voz de um do seus fundadores, Dennis Lyxzén, numa cadência veloz e acelerada ao ritmo da bateria de David Sandström. O tema de abertura, “REV001”, com a colaboração de Mariam The Believer nas vozes, serve de introdução ao sonho e ao desejo utópico de união para a revolução:
“One more revolution my love
One more time through the fire
One more revolution
Once more we’ll walk
Into enemy fire”

O álbum sucede demonstrando que devia haver uma revolução. Mas não… A fórmula punk dos Refused de 2019 é a mesma “The Shape of Punk to Come” de 1999.

O discurso é o de uns Discharge, perfumado e embebido de cocktail-molotov, incendiário, bombista. E soa magnífico, para quem ainda tenha orelhas para isto. Experimentem este “War Music” como quem traga uns shots de forma abusada, em compasso alargado, para saborear, preconceitos à parte, com atenção aos pormenores. A produção, de categoria bem nutrida e vitaminada, exige-nos que o façamos atentando nos detalhes, dá bom corpo e volume a uma secção rítmica fortíssima, abrindo espaço a riffs cortantes e guitarras distorcidas. O álbum é um bom prato, um que já conhecíamos…

Por vezes mais vale um diabo conhecido, e “War Music” oferece razões de sobra para alimentarmos a utopia e continuar na luta ao som de temas tão bem conseguidos e pujantes como “Blood Red”, “Turn the Cross”, “Damaged III”, ou, “The Infamous Left”.