O rock em Portugal está cada vez mais forte – desta vez, a confirmação está a cargo dos albicastrenses Crab Monsters, que misturaram uma... Crab Monsters: o ataque da mulher de 15 metros

Origem: Portugal
Género: rock/punk/hardcore
Último lançamento: “High On Guts” (2019)
Editora: Hellxis Records
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Entrevista e review: João Correia

O rock em Portugal está cada vez mais forte – desta vez, a confirmação está a cargo dos albicastrenses Crab Monsters, que misturaram uma amálgama de influências para nos oferecer “High On Guts”.

«O álbum é fruto de 6 ou 7 ensaios e isso revela que a espontaneidade e a descomplicação funcionam enquanto fórmulas da banda.»

O que esperar: «Principalmente, queremos apresentar a banda. Fizemos tudo de forma rápida e fluída, desde a composição das músicas à gravação do álbum, e o Tiago Dias (guitarrista) tratou de produzir e masterizar o álbum, bem à maneira DIY. Resumidamente, o álbum é fruto de 6 ou 7 ensaios e isso revela que a espontaneidade e a descomplicação funcionam enquanto fórmulas da banda. As reacções do público até ao momento têm sido muito boas. Esperamos que as pessoas possam vir a gostar de um bom álbum de punk-hardcore ou rock n’ roll a 300 km/h, como preferimos, como gostamos. Consideramos que fizemos um bom trabalho e não queremos ficar por aqui, e muito menos agradar a quem quer que seja. Obviamente que ficamos satisfeitos quando as reacções são favoráveis, mas o não depender demasiado do gosto alheio facilita e melhora a aceitação da crítica, quer seja positiva, como tem sido na maioria das vezes até agora, quer seja negativa.»

Conceito: «Não existe um conceito muito pensado para o álbum, pelo contrário; mas não podemos deixar de referir que o processo de composição das músicas foi muito importante na criação da identidade da banda. Foi tudo quase por acidente porque, como referimos, a composição do álbum surgiu em meia-dúzia de ensaios e foi essa emergência que trouxe identidade à banda e lhe deu algum sentido. O álbum parte de uma perspectiva aceite por todos os integrantes da banda, quer ao nível da sonoridade, quer ao das letras. Acaba por ser um retrato sincero de algumas temáticas que equilibram o que consideramos ser o bom desta vida (alguns aspectos) e a parte do submundo mais violento e perverso. Assuntos não faltarão e talvez este equilíbrio de ideias e de temáticas seja a chave para continuar.»

Influências: «Como dissemos anteriormente, gostamos de chamar rock n’ rolla 300km/h ao som que fazemos. Talvez as diferenças de gostos musicais dos quatro elementos da banda os tenham definido assim. Apesar das diferenças de gostos entre todos os membros, conseguimos fazer um som de agrado comum. Começa no rock n’ roll e acaba no metal, passando pelo punk e pelo hardcore. Tudo são influências e todos contribuem com as suas influências pessoais. Fomos evoluindo dessa forma com umas músicas mais rápidas que outras, uns temas diferentes de outros, mas nos fim é essa compreensão que facilita o trabalho da banda. Influências vão desde Zeke a Motörhead, Ramones, Sick of It All, Slapshot, Johnny Cash, Chuck Berry, Pixies, The Exploited, os portugueses Mata-Ratos, The Parkinsons, entre tantos outros.»

Review: Quatro músicos reúnem-se, ensaiam 6 ou 7 vezes e decidem lançar um disco – aqui está a receita perfeita para sair um trabalho ruinoso. Ou então não. Quando temos em atenção que “High On Guts” teve uma janela temporal de preparação tão ínfima, é de facto espantoso o resultado atingido pelos Crab Monsters, que praticam uma mescla de punk/core/rock e até metal, o que permite agradar a duas ou três tribos em simultâneo. “Welcome To Jail” é o exemplo perfeito disso: ouve-se NYHC, piscares de olhos a Ramones, No Means No, Oi!… É, de facto, agradável e despido de megalomanias; puro, até. Longe de ser um clássico, é um disco que permite afirmar sem grande margem para dúvida que os Crab Monsters podem fazer muito mais e muito melhor (imaginamos com seria se tivessem ensaiado 8 ou 9 vezes). Único ponto negativo: produção demasiado limpa, que se quer gordurosa e com fuzz. Fora isso, devem ser uma máquina ao vivo.