Com cerca de 10 anos de existência e três álbuns, mas com muita experiência passada no meio, os Hourswill mostram o que é consistência... Hourswill “Dawn of the Same Flesh”

Editora: Ethereal Sound Works
Data de lançamento: 01.11.2019
Género: metal progressivo
Nota: 4/5

Com cerca de 10 anos de existência e três álbuns, mas com muita experiência passada no meio, os Hourswill mostram o que é consistência e como são capazes de se manter no topo das melhores bandas de metal progressivo do nosso país.

A novidade, que dá pelo nome de “Dawn of the Same Flesh”, é uma viagem sónica de contornos sentimentais que se sentem logo com a inaugural “Asherah” devido à entrada atmosférica que muito se iguala a Camel naqueles momentos em que baixo e teclas criam ambiências que nos envolvem em vapor introspectivo. Porém, a distorção das guitarras pesadas aliadas a uma bateria trabalhadora ataca-nos de seguida com “Innocence”. Acto contínuo, é muito nesta toada que o álbum se desenvolve (umas vezes mais melódico, outras vezes mais dissonante), com especial destaque para a energia quase fast-tempo de “A Beauty in Bloom”, que para além de demonstrar o cariz progressivo, também se inclina ao hard-rock com uma facilidade palpável. Ainda assim, há espaço para uma composição que reflecte o lado mais suave dos Hourswill, com “Now That I Feel” a ocupar essa posição – ainda que não seja uma balada, esta faixa é uma das mais melancólicas que necessitam, e bem, de um refrão suportado por um coro mais robusto.

Com um disco delineado por momentos interessantes, mais um acontece em “Benightedness (part I, II & III)” que, ao longo de 12 minutos, começa obscura e lenta (com piano à mistura), evolui para uma segunda parte bem negra e até furiosa, e termina com um segmento acústico ao som da chuva algures entre uma escola portuguesa e espanhola.

Já no final, “Hanwi” encerra este disco praticamente como começou, de forma calma e atmosférica, mas aqui com mais pontos ganhos devido a uma voz feminina e a um saxofone solitário que imprimem uma linha exótica, sendo uma bonita surpresa para um encerramento enriquecedor.

No cômputo geral, podemos reafirmar o que foi escrito no início desta análise, mas detalhando um pouquinho mais sobre o companheirismo musical que o quinteto de Lisboa oferece, é um deleite ouvir a voz plena e afinada de Leonel Silva, sentir a luta positiva das guitarras de José Bonito e Tainan Reis por um espaço fulcral na narrativa sónica, viajar por diversos estilos e influências protagonizadas por Nuno Peixoto na bateria e tactear os sentidos mais escondidos quando o baixo de Pedro Costa ganha expressão.