Vinte e cinco anos de Gwydion merece uma celebração adequada! À falta de liberdade para se meterem à estrada e continuarem a conquistar a... Gwydion: «O álbum está muito ligado à natureza, ao contacto com a Terra e os elementos»
Foto: cortesia Art Gates Records

Vinte e cinco anos de Gwydion merece uma celebração adequada! À falta de liberdade para se meterem à estrada e continuarem a conquistar a Europa um pouco por todo o lado como têm feito nos últimos anos, os pagãos portugueses comemoram o seu quarto de século com um álbum de título homónimo que promete soar diferente da restante discografia mais recente. A Metal Hammer Portugal conversou com o carismático guitarrista Miguel Kaveirinha, que nos fala do próprio álbum, das influências conceptuais e dos convidados, deixando um apelo final para a recolha de alimentos direccionada à União Audiovisual.

«Alguns temas estão muito ferozes, dedicámos muito tempo ao trabalho melódico das guitarras, a entrada do Luís Figueira na banda também nos deu um boost

Miguel Kaveirinha

Para um álbum que marca 25 anos de carreira e com um título homónimo, quão importante e trabalhoso foi criar um artwork que fosse sinónimo daquilo que a banda representa? Por exemplo, a capa com a árvore tem muito a ver com a divindade Gwydion, certo?
De facto, este artwork foi especialmente pensado e trabalhado, pois todo o álbum anda à volta da história da banda, desde o início à actualidade – os nossos 25 anos carreira. E, obviamente, voltámos um pouco às origens da mitologia celta, em que fomos à fonte da divindade Gwydion, até porque foi ela a nossa origem e nos deu o nome.
A relação que criámos com o Joe, da Arca Design – Illustration & Artwork, foi fantástica, pois ele entendeu todo o conceito que pretendíamos. Sempre disponível, super pró-activo, de facto um excelente ilustrador com uma visão brutal!

Enquanto, por exemplo, “Thirteen” teve a sua ligação viking à Península Ibérica, o novo trabalho incide claramente em territórios britânicos, especialmente se tivermos em conta a inspiração em escritos como “Cad Goddeu” e “Plaeu Yr Reifft”. Posto isto, quão empolgante é a descoberta do nosso passado à medida que as músicas e letras de Gwydion começam a brotar?
Este trabalho está muito ligado à natureza, ao contacto com a Terra e os elementos. O álbum acaba por ser uma passagem pela mitologia celta, pois são as nossas raízes e origens.
Todo o conceito e letras andam à volta de um livro de poemas datado do Séc. XIV, o “Book of Taliesin”, que é uma colectânea de poemas que remontam ao Séc. X. São diversos contos que, por exemplo, relatam a Batalha das Árvores (“Cad Goddeu”)ou a “The Chair of the Sovereign” que relata uma viagem do Rei Artur, até porque o feiticeiro Merlin tem um paralelismo muito directo a Gwydion. Finalizamos o álbum com a faixa “A Roda”, um tema mais tradicional português que retrata o ritual da desfolhada. A composição desta música é da nossa autoria, mas a letra é da Isabel Cavaco, dos Dogma. A Isabel, que já participa nos nossos álbuns quase desde o início, merece totalmente este pelourinho na banda – já é da família!

O novo álbum é mais dramático, mais negro e menos festivo do que algumas músicas anteriores. Outro factor de diferença passa pela execução das guitarras, com riffs mais compactos e mais ferozes, muito na onda do death metal melódico nórdico. Serão estes os exemplos que mais surpresa vão suscitar nos fãs?
Sim, é um facto, apesar de ser made a la Gwydion. [risos] Alguns temas estão muito ferozes, dedicámos muito tempo ao trabalho melódico das guitarras, a entrada do Luís Figueira na banda também nos deu um boost. Uma nova visão das coisas, o que é excelente.
Para além de temas mais fortes, também temos alguns mais dramáticos, com uma abordagem mais black metal ou pagan, também uma característica das origens da banda. O nunca faltar temas mais festivos acaba por ser uma experiência diferente, de vários ambientes e mixed feelings para os ouvintes – creio que isto é algo positivo e torna um álbum menos cansativo do que se for todo na mesma linhagem ou género musical.

Cremos que a produção do álbum atingiu um novo nível em Gwydion. Está tudo muito equilibrado e audível, e não podemos deixar de referir a presença incrível do baixo, que dá mais corpo e cor de fundo. Quão satisfeitos estão com o resultado final?
Estamos extremamente satisfeitos com o trabalho e a arte do Fernando Matias, do Pentagon Audio Manufacturers. O Matias é fenomenal, é o sétimo elemento de Gwydion – já la vão quatro álbuns feitos com ele, sendo um deles “Horn Triskelion” em colaboração com Børge Finstad, dos Toproom Studios na Noruega.
Este trabalho é, de facto, uma evolução de ambos, tanto da banda como do Matias, que cada vez mais prova a qualidade dos estúdios e produtores nacionais. Este moço é um orgulho!
Enquanto esta parceria com o Matias for possível, não prescindiremos dela – ele também é nossa família. Matias, obrigado pela paciência de viking para nos aturares. [risos]

O disco inclui vários convidados, tanto nacionais como internacionais. Quão importante e entusiasmante foi incluir estes vossos amigos nesta comemoração?
É verdade, este disco foi crescendo de uma forma normal mas descontrolada. [risos]
Devido à pandemia, tivemos um pouco de mais tempo para compor e fazer arranjos. Quando nos demos conta, já estávamos com 14 temas feitos, mais alguns a cozinhar. Inicialmente pensávamos em fazer um álbum duplo! Mas bem analisado e tendo em conta a situação mundial, decidimos fazer um álbum bem recheado com 73 minutos de música dividida em 14 temas.
Depois de termos os temas definidos e alinhados, constatámos que estávamos a celebrar também os nossos 25 anos de banda, e por que não convidar amigos para esta festa? Visto termos temas tão variados, decidimos convidar o Artur Almeida (Attick Demons) para a “Battle of Alclud Ford”, o Mats Milsson (Brothers of Metal) para a “Hostile Alliance“, o Pēteris Kvetkovskis (Skyforger) para a “Cad Godeu”, o nosso antigo vocalista e fundador de Gwydion Rúben Almeida na música “Gwydion” e, claro, a nossa Isabel Cavaco (Dogma) na “Roda” e em backing vocals em várias músicas.
Uma verdadeira reunião de amigos em que cada um deu o seu toque pessoal com um resultado impressionante – foi uma experiência inesquecível!

Infelizmente, não vamos ter a festa que os Gwydion sempre nos proporcionam em concertos – a pandemia veio virar tudo do avesso. O que esperam de e para 2021?Bem, para 2021 desejamos, acima de tudo, esperança e bom senso, pois até à data a esperança mantém-se mas o bom senso de quem gere este país é muito pouco e sem noção. Sem noção essencialmente no que toca ao mundo das artes e à indústria da música, porque na realidade acham que ainda somos uns “freaks marginais da sociedade” e que vivemos apenas do oxigénio.
Quanto a concertos, como somos marretas e teimosos, temos marcado e esgotado o concerto de apresentação do álbum no dia 22 de Novembro às 16h, também com transmissão world wide pela módica quantia de 2€. As pré-reservas podem ser feitas AQUI.
Em relação a festa, sim, de facto será diferente e dentro das normas da DGS, mas será sempre um concerto de Gwydion, cheio de festa, cerveja, hidromel e gritos de guerra!
Já temos algumas novidades para 2021, que estão aparentemente a chegar a bom porto – fiquem atentos que em breve anunciaremos mais coisas!
Já agora, fazemos um apelo: no dia do concerto e durante o evento vamos estar a fazer recolha de alimentos para a União Audiovisual – eles merecem e precisam de ajuda!