Dave Mustaine, mentor dos Megadeth, vai à sua colecção de discos e saca Judas Priest, Led Zeppelin e Pink Floyd. Dave Mustaine (Megadeth): 10 álbuns que mudaram a minha vida

Dave Mustaine, mentor dos Megadeth, vai à sua colecção de discos e saca Judas Priest, Led Zeppelin e Pink Floyd.

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O primeiro álbum que comprei foi…
David Bowie – Changesonebowie (1976)

«O primeiro álbum que realmente tive foi de Kiss – o “Hotter Than Hell”. Mas roubei-o. Na escola que frequentei havia alguns músicos excelentes que faziam parte do mesmo pequeno círculo que eu. Havia os atletas e os pedrados, e a maioria dos pedrados tocava, e esses gajos tocavam muitas músicas do catálogo de Bowie. “Diamond Dogs” era uma das músicas de que eu gostava, e a “Rebel Rebel” era fixe. Tenho de dizer que a letra de “Diamond Dogs” fazia-me sentido e era para onde a minha vida estava a ir. ‘As they pulled you out of the oxygen tent, you asked for the latest party…’ Bem, se isso não se parece comigo naquela altura, então não sei o que parecerá, sabes?»

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O álbum que me lembra a escola é…
UFO – Phenomenon (1974)

«É o “Phenomenon” de UFO ou o “Let There Be Rock” de AC/DC. Esses foram os dois discos que mais ouvi durante aquele período. Black Sabbath também rodava bastante, mas não consigo lembrar-me qual era… Acho que tinha a “Changes”! Estávamos a enrolar charros e depois vinha a “Changes” – era a minha música menos favorita, então é por isso que me lembro dela em particular. Mas escolho UFO. Ouvíamos muito esse disco.»

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O meu álbum favorito é…
Led Zeppelin – Presence (1976)

«Vale o que vale, é difícil escolher apenas um disco. Diamond Head era uma banda excelente para mim. O mesmo vale para muitas coisas de Mercyful Fate. Lembro-me de ir a conduzir com o Hetfield a ouvirmos sempre Venom e Motörhead. Essas eram duas bandas de que gostávamos muito. Mas se meterem uma arma na minha cabeça, terei de escolher Led Zeppelin. “Presence” é o álbum que surgiu quando eu estava a tornar-me fã, porque eu era muito novo quando os discos anteriores foram lançados.»

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O álbum que define o metal é…
Judas Priest – Sad Wings of Destiny (1976)

«Quem define o metal para mim? Tudo remonta a Motörhead e “No Sleep Till Hammersmith”. Foi o epítome de riffs de se tirar o fôlego. Mas quando se trata de heavy metal clássico, “Sad Wings of Destiny”, de Judas Priest, é definitivamente uma das grandes obras de todos os tempos. Ouvir Glenn Tipton e K.K. Downing a tocarem guitarra em uníssono e ouvir Rob Halford a soltar-se… Quem canta assim? Ninguém. Fiquei tão fascinado com aquela banda e com tudo sobre eles que fui a uma loja de chapéus e comprei um Fedora porque o K.K. Downing usava um na contracapa do “Sad Wings…”. Tenho cabelo encaracolado, portanto chapéus não me assentam bem. Não durou muito. [risos]»

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O álbum que me faz exceder o limite de velocidade é…
Motörhead – Ace Of Spades (1980)

«Tenho de voltar a Motörhead novamente. Poderia dizer-se que a guitarra do “Killers”, de Iron Maiden, está lá em cima. Esse também foi um disco importante para mim, mas o tempo não era tão rápido como as faixas mais rápidas de Motörhead. É a banda perfeita para acelerar… Ou para ir para a cadeia! [risos]»

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Ninguém acreditaria que tenho uma cópia de…
Aztec Camera – Love (1987)

«Estávamos em Paris e estava a dar a MTV. Lembro-me que estava muito doente, e o Roddy Frame estava a cantar “Deep and Wide and Tall” – é um excelente compositor pop. Pode dizer-se que os gajos do metal que têm carreiras bem-sucedidas e duradouras geralmente são pessoas que ouvem música fora do reino óbvio e têm influências vindas de fora do metal. Se repetimos apenas o que os nossos pares fazem, não estamos realmente a ir em frente. Também tenho um single de Scritti Politti chamado “Wood Beez”. Vinha com um gira-discos que alguém tinha deixado numa casa para a qual eu e o David Ellefson nos mudámos, e a modos que o adoptei. É um bocado poppy para mim.»

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O meu artwork favorito é…
Pink Floyd – Wish You Were Here (1975)

«Esta é muito fácil. Tenho de dizer “Wish You Were Here”, de Pink Floyd, com os gajos a apertar as mãos e o gajo em chamas. O Storm Thorgersen é um artista maravilhoso, tanto que usámos um tipo chamado Hugh Syme, que era um protegido dele, para “Countdown to Extinction” e “Youthanasia”. Queríamos algo original e provocante, e não apenas uma ilustração. Fomos marcados e toda a gente foi do tipo: ‘Onde está o Vic?’ Com o “Youthanasia”, as pessoas passaram-se porque pensaram que pendurámos bebés de cabeça para baixo e tirámos as fotos. O que fizemos foi termos as mães e os bebés numas mesas transparentes com luzes por baixo, as mães agarraram os dedos dos pés e puxaram a pernas para que parecessem que estavam pendurados pelos pés. Achei isso brilhante.»

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O álbum mais subestimado de sempre é…
Angel – Angel (1975
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«Estavam na Casablanca Records. Eram o yin do yang de Kiss. Os Kiss vestiam de preto e os Angel de branco. Tinham um guitarrista notável chamado Punky Meadows, de quem Frank Zappa gozava nas músicas. Mas ele tinha algumas canções notáveis, como “Tower” e “Any Way You Want”. Eram quase progressivas até certo ponto, mas eram músicas realmente boas. Sempre me perguntei se faria uma cover da “Tower”. O vocalista tinha uma voz muito estranha. Tem de se ter a mente muito aberta para o apreciar porque tem um vibrato super-rápido, e muitas pessoas não acharão isso atraente. Mas eles eram uma das minhas bandas favoritas enquanto crescia.»

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O álbum que quero que toque no meu funeral é…
Johnny Winter – Still Alive And Well (1973)

«Sempre brinquei com isto. Não estou ansioso por morrer! Não tenho medo de morrer e já morri uma vez, mas não estar vivo e não poder partilhar a vida? Amo a minha família, amo a minha banda, amo onde minha vida está agora e a minha carreira está a ir muito bem. Acredito na comunidade metal… O pêndulo balançou de forma positiva para todos nós, não apenas o Big 4 mas também para o Little 400! [risos]»

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O álbum com que quero ser recordado é…
Megadeth – Dystopia (2016)

«Em termos de empreender a minha maneira de tocar e escrever músicas, o reencontro com o David Ellefson, e com o Kiko a ser um guitarrista tão inacreditável, tenho de escolher “Dystopia” neste momento. Mas agora que o Dirk Verbeuren está na banda, estou realmente ansioso com o que vem por aí. Quando entramos na sala de ensaio, a aquecer para os concertos, e ouvimos o Dirk a tocar alguns blast-beats, questiono-me sobre como Megadeth vai soar quando fizermos o próximo álbum e tivermos aquelas batidas de entorpecer o crânio – vai levar a minha maneira de tocar a limites sobrenaturais. Estou entusiasmado porque posso fazer cenas metal rápidas, mas tendo a habilidade e a profundidade musical do Kiko e com o Ellefson a segurar a fortaleza, estou realmente empolgado para o próximo álbum. Comecei a pensar nisso no dia em que saímos do estúdio, depois de fazer o “Dystopia”. É tão assim que estou ligado.»

Consultar artigo original em inglês.