Lançado no final de Outubro de 2019 pela Season Of Mist, o novo álbum dos lovecraftianos The Great Old Ones intitula-se “Cosmicism” e concentra-se... Benjamin Guerry (The Great Old Ones) sobre Lovecraft: «Mestre de Providence, profeta dos pesadelos, anunciador da futilidade do ser humano»
Foto: Joel Queyrel

Lançado no final de Outubro de 2019 pela Season Of Mist, o novo álbum dos lovecraftianos The Great Old Ones intitula-se “Cosmicism” e concentra-se no lado espacial do universo de HP Lovecraft, sendo bastante perceptível que se trata de um trabalho muito mais esotérico, atmosférico e ainda mais melódico do que, por exemplo, o anterior “EOD: A Tale of Dark Legacy” – a faixa “The Omniscient” corresponde precisamente ao referido. «Não sei se ser mais melódico era o pretendido, mas tínhamos como objectivo propor um álbum mais épico e mais variado do que os anteriores», conta Benjamin Guerry, guitarrista e vocalista dos franceses. «Há sempre o peso que nos caracteriza, mas também há um lado mais arejado e mais estelar, bastante apropriado ao conceito desenvolvido em “Cosmicism”.»

Questionado se “Cosmicism” é o melhor álbum do projecto, Guerry não assume a comum postura de que o lançamento mais recente é sempre o melhor: «Não posso dizer que “Cosmicism” é o nosso melhor álbum, porque são todos diferentes e representam um certo período da vida da banda. É bastante subjectivo. Mas acho que é o nosso álbum de maior sucesso, o mais coerente e o mais intenso.»

Cosmicismo e onde podemos encontrá-lo nos escritos de HP Lovecraft
Benjamin Guerry (BG): É uma filosofia literária desenvolvida por H.P. Lovecraft. Explica que o homem é insignificante na escala do universo, que não está ciente do que está a acontecer lá e que, em todo caso, o seu cérebro não foi feito para o entender. Quem enfrenta esses segredos afunda-se em loucura. A melhor representação dessa filosofia pode ser encontrada na introdução do novo “The Call of Cthulhu”, que resume muito bem essa ideia niilista.»

O conto que toda a gente deve ler
BG: Gosto de muitos textos de Lovecraft e acho-os todos indispensáveis. Portanto, não vou ser original e direi “The Call of Cthulhu”. Prefiro não explicar muito a história, mas, como muitas vezes com Lovecraft, o conto é sobre o destino de um protagonista confrontado com o conhecimento oculto, o que o levará a descobrir a existência de uma entidade aterrorizante, a mais carismática entre as criações do autor. O encontro será através de um diário de bordo de um marinheiro, e é absolutamente incrível.

O conto mais subestimado / menos conhecido
BG: Se sairmos um pouco do mito de Cthulhu, aconselho a ler “The Outsider”. É um texto bonito, melancólico e poético. Lovecraft conta a história de um personagem que nunca viu a luz do dia, e que mora num castelo sem nunca ter visto aqueles que considera serem do seu tipo. Um dia decide sair para ver o que há lá fora. Mas passará rapidamente da alegria ao terror. O final está cheio de tristeza, resignação, e acho que é um conto bastante autobiográfico.

O ser mais aterrorizante do universo HP Lovecraft
BG: Azathoth é uma entidade bastante assustadora porque é de um poder gigantesco, esmagando tudo no seu caminho, sem pensar. Portanto, é a criatura mais assustadora. Mas também penso em Nyarlathotep, que, embora menos impressionante que Azathoth, é um ser muito mais cruel – é o mal que pensa e conspira. Certamente o mais perigoso dos Great Old Ones.

O lugar mais perigoso do universo HP Lovrecraft
BG: Todos os lugares são perigosos na literatura de Lovecraft, porque, de qualquer forma, não temos futuro, seja na terra ou noutro lugar. Seria fácil citar R’lyeh, que é a mais acessível das cidades no seu trabalho, uma vez que se apresenta no fundo do Pacífico, mas, como eu disse antes, nenhum lugar no universo está sem perigo.

HP Lovecraft numa frase
BG: O mestre de Providence, profeta dos pesadelos, anunciador da futilidade do ser humano.