Formados em 1994, durante o esplendor do death/doom metal britânico, os suecos Draconian passaram os primeiros cerca de 10 anos sem um único longa-duração,... A. Jacobsson (Draconian): «Começou na minha cabeça quando ouvi Paradise Lost pela primeira vez»
Foto: Eleni Liverakou Eriksson

Formados em 1994, durante o esplendor do death/doom metal britânico, os suecos Draconian passaram os primeiros cerca de 10 anos sem um único longa-duração, tendo alcançado tal objectivo apenas em 2003 com “Where Lovers Mourn”.

Em entrevista à Metal Hammer Portugal, o vocalista Anders Jacobsson conta-nos a origem de tudo: «Começou na minha cabeça, no início dos anos 90, quando ouvi Paradise Lost pela primeira vez, quando lançaram os primeiros singles e EPs e começaram a ser conhecidos pelo que são. Foi a melhor coisa que ouvi. Adorei a dualidade – a beleza e a escuridão. Depois percebi que isto era algo que ia ser muito grande. Os teclados majestosos, quase de igreja, guturais profundos, uma atmosfera apocalíptica muito doomy, tudo misturado com beleza, inocência e com uma santidade sagrada nas vozes do soprano. Percebi que era isto que queria fazer. Já estava numa banda, os Measureless, em que fazíamos um death metal gory. Saí dessa banda por várias razões e queria formar uma banda que fosse mais doom metal romântico. Espalhei a ideia e acabei numa banda chamada Kerberos, que precisava de um vocalista e letrista. Queriam mudar o som para algo mais black metal em mid-tempo, e dá para ouvir isso na primeira demo. Foi assim que chegámos a Draconian e àquilo que somos hoje. Diria que a sonoridade de Draconian começou logo na primeira demo. No início dos anos 2000, quando o nosso compositor principal saiu, o Johan [Ericson] começou a tocar guitarra em vez de bateria, começou a compor músicas e tornou-se tudo mais doomy no sentido britânico. Portanto, diria que passámos por duas jornadas. [risos] Primeiro nos anos 90 e depois nos anos 2000, quando florescemos naquilo que somos hoje.»

Para além do cult-following que os Draconian têm no panorama doom metal melódico, terem lançado todos os seus álbuns através de uma só editora pode ser considerado um marco que nem todas as bandas conseguem inscrever no currículo – ainda para mais tratando-se de uma companhia como a Napalm Records. «Penso que o segredo é teres o queres e a editora permitir-te isso», diz Anders sobre a longa parceria. «Nunca têm problemas com orçamentos, nunca tentaram mudar o nosso som, sempre gostaram do que ouviram, nunca tentaram interferir. Julgo que compreenderam algo quando ouviram a demo “Dark Oceans We Cry”, que nos proporcionou o contrato e que é um dos meus lançamentos favoritos de Draconian. Em 2002 já sabiam o que estávamos a fazer – ou nós sabíamos o que estávamos a fazer, melhor assim. Não gostámos muito da produção dos dois primeiros álbuns, não ficámos muito felizes com isso e dissemo-lo. Já tínhamos fãs, já tínhamos seguidores na Internet. Como passámos tanto tempo como uma banda de demos, tentámos mostrar-nos no mp3.com e no MySpace, e isso teve muito sucesso, as pessoas sabiam quem éramos. Portanto, acho que a editora foi boa connosco porque vendíamos bem, perceberam que tínhamos um plano e que tínhamos uma sonoridade que queríamos seguir. Acho que isto não funciona com todas as bandas… Ouvem-se histórias sobre editoras, mas nunca tivemos problemas, sempre foram muito bons connosco.»

“Under a Godless Veil” é o título do novo álbum dos Draconian e tem data de lançamento a 30 de Outubro de 2020 pela Napalm Records.