Lançado a 25 de Abril de 1980, “Heaven and Hell” é um dos álbuns de Black Sabbath com maior sucesso e é também o... Black Sabbath “Heaven and Hell”: reino de Dio

Lançado a 25 de Abril de 1980, “Heaven and Hell” é um dos álbuns de Black Sabbath com maior sucesso e é também o primeiro registo com Ronnie James Dio na voz.

Ozzy Osbourne, frontman de Black Sabbath desde o início, fora despedido a 27 de Abril de 1979, resultante de tensões que surgiam sensivelmente desde 1975-1976. A perder interesse pela banda e a pensar na possibilidade de trabalhar com outros músicos, a digressão de promoção ao álbum de 76 ficou marcada pelos abusos e pela opinião negativa, com críticos a apontarem os concertos de 1978 como fatigantes e sem inspiração. Assim, Iommi, Butler e Ward convidavam Obsourne a sair de Black Sabbath, justificando que este se tornara pouco fiável e muito mais consumido pelos abusos do que os restantes colegas. Todavia, Ozzy ainda participou nas sessões primárias de “Heaven and Hell” e é sustentado que Iommi possui uma fita em que o vocalista interpreta “Children of the Sea” com outras letras e outra linha vocal.

Apresentado a Iommi por uma Sharon Arden em 1979 – que se tornaria Sharon Osbourne após casamento com Ozzy em 1982 -, Ronnie James Dio, proveniente dos Rainbow, seria o próximo vocalista dos Black Sabbath. Tanto o guitarrista como o vocalista estavam numa situação similar: enquanto o primeiro necessitava de uma voz, o segundo andava à procura de um novo projecto. Ironicamente, a primeira composição a ser relembrada e remexida seria “Children of the Sea”.

“Heaven and Hell” é o primeiro álbum de Black Sabbath com Dio na voz.

Ainda assim, o problema não residia só em Ozzy. O baterista Bill Ward estava a passar por problemas pessoais e o baixista Geezer Butler estava no meio de um processo de divórcio. Tudo entre amigos, os baixistas Geoff Nicholls e Craig Gruber deram uma mãozinha, assim como o próprio Dio.

Ward acabaria mesmo por abandonar o grupo, regressando esporadicamente no anos vindouros. Apesar dos problemas pessoais, o baterista saía também com algum ressentimento em relação à orientação da banda, especialmente ao nível lírico, caracterizando as letras de Dio como irreais. Para o baterista, apenas “Lonely Is the Word” era a canção mais real em contraste com, por exemplo, “Lady Evil”. Contudo, Ward considera Dio um bom cantor.

Apesar de “Heaven and Hell” ser um álbum aplaudido e com bastante sucesso, atingindo platina nos EUA e ouro no Reino Unido, os primeiros tempos de Dio ao vivo não foram fáceis com focos de fãs a gritarem por Ozzy, um factor que ainda divide os seguidores de Black Sabbath entre os que gostam mais da fase com o primeiro ou os que preferem a época com o segundo. Sendo, de facto, vocalistas diferentes – Ozzy era mais histérico, louco e estridente, Dio era mais técnico, operático e amplo -, a sonoridade foi também modificada, passando a banda a executar algo mais heavy metal / hard rock e menos doom metal. Afinal estávamos no amanhecer da New Wave Of British Heavy Metal e em 1980 saíam discos como o homónimo de Iron Maiden e “British Steel” de Judas Priest.

Pesando a perda de Ozzy de um lado, a adição de Dio do outro e ainda a concepção de um novo som, “Heaven and Hell” fica para história pelas situações referidas neste artigo, mas também por composições particularmente boas, como a faixa-título, “Wishing Well” e “Lonely Is the Word”.