Com um nome que não se pronuncia mas que se vê, os dinamarqueses (0) deram o salto para a Napalm Records, sendo "SkamHan" a... (0): «Induzir um estado hipnótico é algo que queremos que a nossa música seja capaz de fazer»
Foto: Gaia Micatovich Photography

Com um nome que não se pronuncia mas que se vê, os dinamarqueses (0) deram o salto para a Napalm Records, sendo “SkamHan” a nova aposta da banda e da editora. A Metal Hammer Portugal falou com o grupo sobre o nome e sobre a vasta mistura que fazem entre black, death, doom e post-metal.

«Queríamos que a música estivesse em destaque, e não nós como artistas.»

Esta é uma pergunta que não fazemos de todo, mas dadas as circunstâncias quanto ao nome da banda, somos impelidos a fazê-la. Qual é o significado do zero entre parênteses? É matemático? É astronómico?
É um símbolo de vazio absoluto, mas pode ser interpretado como quiserem. Durante a gravação do nosso EP, conversámos sobre o nome da banda, porque não tínhamos nenhum. Perguntámo-nos por que é que deveríamos ter um nome e como é que isso serviria a música. Não encontrámos nenhuma resposta, [ter um nome] é o que se faz normalmente.
Falámos e desafiámos a normalidade quando se lança música, e acabámos por nos desafiar a nós mesmos, não para se fazerem as coisas de uma maneira específica, apenas porque é assim que elas são feitas normalmente. Ao mesmo tempo, queríamos separar-nos da música, para que permanecesse o mais intacta possível para quem ouve. Queríamos que a música estivesse em destaque, e não nós como artistas.
A ideia surgiu ao termos o logótipo em vez de um nome, como uma forma de nos distanciarmos da música enquanto músicos, empurrando assim a música para a frente.

Podemos rotular o estilo musical da banda como metal experimental extremo, porque abre as suas asas cobrindo géneros como black, death, doom e post-metal. Estão a tentar fundir as várias influências para agradar ao maior número possível de pessoas, sem esquecer, claro, o vosso próprio prazer e motivações?
Não estamos vinculados a nenhum género. Simplesmente fazemos músicas que se encaixam na expressão que queremos, recorrendo a inúmeras fontes de inspiração, que vão do jazz à música pop e folclórica e, claro, a todos os tipos de rock e metal. Às vezes, queremos expressar algo simples e cru, não muito diferente de sentimentos de raiva ou ódio. Outras vezes, queremos uma expressão mais complexa e dualista, como sentimentos de culpa ou inveja.
Ao criar uma música, chegamos a um ponto em que ela começa a dizer-nos para onde ir e, de seguida, deixamos que decida ela própria onde vamos parar. Se isso pedir um cravo ou um coro de crianças, certamente o tentaremos, se possível. Para responder à pergunta, não temos uma agenda quanto às nossas escolhas de géneros para além de nos aproximarmos da expressão que queremos, limitada apenas às nossas habilidades.

Por outras palavras, quão disruptivos pretendem ser musicalmente?
Achamos que isso é muito subjectivo, mas não seguir o caminho batido e trabalhar sem limites tende a parecer disruptivo. Não vemos isso como disruptivo, mas como sem restrições.

“SkamHan” emana principalmente uma onda sombria, às vezes labiríntica se mencionarmos faixas como “Sortfugl” ou depressiva se referirmos o tema-título. Com isto em mente, podemos também referir-nos ao vosso som como hipnótico, no sentido de que tentam transmitir sentimentos estranhos/ocultos, esperando que as pessoas também descubram isso em si mesmas?
Sim, induzir um estado hipnótico ou de transe é algo que queremos que a nossa música seja capaz de fazer. Uma grande parte da nossa música passa por levar o ouvinte por uma viagem, havendo tempo para se construírem as diferentes partes através de mudanças de estilo, repetição e mudanças de ritmo. Não queremos necessariamente que o ouvinte descubra emoções ocultas nele mesmo, mas queremos transmitir a forma como os sentimentos podem ser muito dualistas e esquizofrénicos – excepto quando não são.

Assinar com uma editora como a Napalm Records é sempre um marco e permitirá mais exposição. No entanto, essa melhoria na carreira mudou a vossa mentalidade de alguma forma?
De alguma maneira. Especialmente quando não se está preparado para isso. Sempre fomos extremamente sérios em relação à nossa música, mas um contracto nunca foi definido como uma meta. Claro, é algo que a maioria dos músicos sonha, mas não é por isso que fazemos música. Fazemos música porque gostamos de criá-la, e porque ao criá-la somos livres de fazer o que quisermos.
Ao assinar com uma editora como a Napalm, não se está apenas a responder a nós próprios, mas também à editora e às suas expectativas. Quando éramos independentes, era mais fácil fazer (ou não) exactamente o que queríamos, como não dar muitas entrevistas, não fazer muita promoção.
Portanto, tivemos que adaptar-nos a essa nova realidade, sem desistir dos princípios com os quais começámos, mas ao mesmo tempo abraçando o que Napalm tem a oferecer e como fazem as coisas.
Demora algum tempo até nos acostumarmos e ainda estamos em processo, mas felizmente a Napalm consiste em pessoas muito qualificadas e muito pacientes que nos ajudam e nos guiam.