“Under Sullen Skies” não é só uma reflexão sobre o mundo pós-apocalíptico em que vivemos na forma de um álbum negro e introspectivo, é... Tombs “Under Sullen Skies”

Editora: Season of Mist
Data de lançamento: 20.11.2020
Género: black metal / post-metal
Nota: 4.5/5

“Under Sullen Skies” não é só uma reflexão sobre o mundo pós-apocalíptico em que vivemos na forma de um álbum negro e introspectivo, é também uma forte descarga eléctrica aplicada ao tórax do black metal.

Depois de 13 anos às voltas na penumbra da segunda vaga de black metal, Mike Hill, líder dos Tombs, encontrou finalmente a companhia que tanto procurava para cristalizar o tipo de sonoridade ambicionada. “Monarchy of Shadow”, o excelente EP lançado no início de 2020, apresentou pela primeira vez o actual line-up constituído por Matt Medeiros, Drew Murphy e Justin Spaeth, três músicos do quarteto de death metal Kalopsia, de New Jersey. “Under Sullen Skies” é o quinto álbum da discografia dos Tombs e o primeiro editado pela Season of Mist, depois de um percurso com passagem pela Relapse Records e Metal Blade. Não fora o malfadado vírus, e os Tombs teriam cumprido este ano uma digressão pela Europa e EUA com Napalm Death na sequência do lançamento do EP em Fevereiro.

O novo registo dos Tombs reflecte o imaginário de uma Brooklyn decadente e tomada pelo folclore urbano com vampiros e lobisomens numa atmosfera nocturna iluminada por relâmpagos e neóns em noite de trovoada.“Bone Furnace” irrompe numa explosão melódica de black metal e investe subitamente por caminhos mais thrashy influenciados pelo rock gótico. “Void Constellation” avança a oscilar entre o doom metal na origem da Peaceville Records e o death metal de Obituary ou Incantation. “Barren” retoma o speed inicial, introduzindo uma cambiante influência em NWOBHM / Scorpions que salta à vista na última parte do tema e um solo de guitarra memorável com a assinatura de Ray Suhy (Six Feet Under) por entre o clima de melancolia que assombra o tema. “Hunger” distingue-se pelo magnetismo dos ganchos de guitarra e pela participação de Dwid Hellion (Integrity) no refrão de fazer arrepiar o bigode aos Motörhead. “Secrets of the Black Sun” torna a surpreender com nova pirueta, abrindo num tempo lento, em que Mike Hills declama num registo descaradamente influenciado pelos Bauhaus, e Sera Timms (Ides Of Gemini, Black Moth Horseman) contribui com coros etéreos a reforçar a ambiência gótica.

O álbum progride combinando diferentes texturas e atmosferas do black metal moderno sobre uma base instrumental com recurso a samples e sintetizadores, enquadrados pelas referências death rock dos Fields of the Nephilim ou The Sisters of Mercy, e sob a influência da cena de avant-garde de Nova Iorque, de Caspar Brotzmann ou Live Skull. “Angel of Darkness”, “Sombre Ruin” e “Plague Years”, os três últimos temas, condensam toda a diversidade e o colorido escuro do alinhamento com uma dúzia de temas e uma hora de duração.

“Under Sullen Skies” não é só uma reflexão sobre o mundo pós-apocalíptico em que vivemos na forma de um álbum negro e introspectivo, é também uma forte descarga eléctrica aplicada ao tórax do black metal.