Com “Unstable”, os Tetrarch apresentam-se como uma potência em crescimento e vão de certeza deixar uma pegada muito firme na forma... Tetrarch “Unstable”

Editora: Napalm Records
Data de lançamento: 30.04.2021
Género: nu-core
Nota: 4/5

Com “Unstable”, os Tetrarch apresentam-se como uma potência em crescimento e vão de certeza deixar uma pegada muito firme na forma como se faz música pesada no Séc. XXI, já para não se falar da porta de entrada para o metal que podem vir a ser para muitos jovens que estão a descobrir o género.

Parece que cerca de duas décadas depois o nu-metal começa a ser reabilitado. Novamente, como outrora, são as camadas jovens que revolucionam a música pesada, e o termo nu-metal dá lugar ao nu-core de bandas arrojadas como Tallah e Tetrarch. E por que não continuar a chamar nu-metal ao que esta juventude anda a fazer? Bem, porque é mais do que hip hop meets hardcore meets DJing meets metal. Álbuns como “Matriphagy” (2020) dos Tallah e este “Unstable” dos Tetrarch apresentam mais loucura e agressividade sonora do que em tempos os Korn fizeram, havendo mesmo espaço para a inclusão de death metal e deathcore. Auxiliando-nos do chavão dos Spinal Tap: esta malta elevou tudo a 11.

Assim, depois da estreia independente com “Freak” em 2017, os Tetrarch ficaram imediatamente nos radares e foram apanhados pela titã Napalm Records que agora, em 2021, apoia a banda no lançamento do poderoso segundo álbum “Unstable”.

Acto contínuo, a instabilidade que o título evoca é mais emocional do que sonora, mas garantimos que há aqui uma montanha-russa que sobe e desce a pique num piscar de olhos muito breve.

Ao longo de 10 faixas que respiram urgência, dinamismo e atmosfera por todos os poros (ouvir, por exemplo, a melodicamente cativante “Take A Look Inside”), os Tetrarch avisam-nos de que não estamos bem em “I’m Not Right”, bloqueiam ruídos indesejados (leia-se negativismo) em “Negative Noise”, destapam o bullying em “Sick of You” e relembram relações quebradas com “You Never Listen”.

Às letras emotivas cantadas e gritadas por Josh Fore (que nos levam 20-25 anos atrás com versos sobre ódio, ansiedade, pânico, auto-comiseração e falta de pertença) junta-se obviamente a sua voz furiosa com um dinamismo muito interessante que demonstra também a fragilidade humana que o grupo deseja partilhar, isto tudo numa mescla entre Jonathan Davis, Chester Bennington e toques de death metal / deathcore. Depois, para além do baixo de Ryan Lerner que dá robustez e da bateria explosiva de Ruben Limas, é a guitarra de Diamond Rowe que faz “Unstable” brilhar, seja na ala rítmica com todo o seu peso e atmosfera inerente, seja (com maior evidência) na secção lead com notas cintilantes e alarmantes que grassam por todo o disco, sempre com Korn como maior influência – nem é preciso pensarmos muito sobre donde vêm aqueles guinchos estridentes que perfuram ouvidos e nos afligem com alguma dose de inquietação e desconforto.

E, sim, dada a turbulência sonora e lírica dos Tetrarch, desconfortável (mas em bom) será um bom adjectivo para este “Unstable” que, ainda assim, não recua na hora de oferecer momentos mais orelhudos com refrãos facilmente memoráveis.

Há aqui, em Tetrarch e com “Unstable”, uma potência em crescimento e vão de certeza deixar uma pegada muito firme na forma como se faz música pesada no Séc. XXI, já para não se falar da porta de entrada para o metal que podem vir a ser para muitos jovens que estão a descobrir o género – tal e qual como há 20 anos.