A minha convidada deste mês é Sandra Oliveira, vocalista dos Blame Zeus, que em Novembro de 2019 editaram "Seethe", pela Rockshots Records. Conhecida pela... Na Teia da Viúva, por Rute Fevereiro: Sandra Oliveira (Blame Zeus)
Fotografia: João Fitas

Aqueles que acompanham o meu percurso musical estão familiarizados com a minha determinação em vincar o papel das mulheres neste meio, quer através das Black Widows – a primeira banda de metal portuguesa composta exclusivamente por mulheres – como pelos Enchantya, onde além de vocalista assumo também a gestão da banda.

A coluna “Na Teia da Viúva” visa destacar, através de entrevistas, as grandes guerreiras do metal, sejam elas cantoras, instrumentistas, relações públicas, managers, técnicas de som e luz, entre outras, pretendendo assim dar a conhecer um pouco da vida das mulheres que compõem e contribuem para a progressão da cena metal nacional.

A minha convidada deste mês é Sandra Oliveira, vocalista dos Blame Zeus, que em Novembro de 2019 editaram “Seethe”, pela Rockshots Records. Conhecida pela sua perseverança e profissionalismo, nesta entrevista a artista do Porto dá-nos a conhecer um lado mais pessoal.

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A ideia que eu tenho de ti, assim como muita gente, é que és uma mulher de fibra, forte e determinada. É essa a imagem que tens de ti própria?
Sim, considero-me uma mulher determinada. Sei o que quero e trabalho o mais que posso para lá chegar. Tenho os meus momentos de fragilidade e as minhas limitações, como toda a gente, mas acredito no conceito de “self made (wo)man”. Nada na vida me foi dado de bandeja e isso faz com que eu valorize tudo o que consigo alcançar.

Além de vocalista dos Blame Zeus, fundaste a Lazy Cat Productions & Management. O que te levou a iniciar a tua própria agência?
Criei a Lazy Cat numa altura em que quis oficializar o trabalho de booking, management e produção de eventos que faço com os Blame Zeus, e fazê-lo também com outras bandas. Felizmente, a minha ocupação oficial (dar aulas de canto) cresceu bastante nos últimos anos, e o meu tempo está muito limitado, pelo que de momento dedico-me exclusivamente a Blame Zeus. No entanto, não “matei” por completo o projecto Lazy Cat. Pretendo explorar mais esse meu lado e até organizar o Lazy Cat Rock Fest III, quando a minha agenda o permitir.

Na tua opinião, e no que respeita ao profissionalismo, como é que nós mulheres podemos ter mais credibilidade no meio musical? Sentes que ainda há discriminação?
Em relação ao profissionalismo, não vejo distinção entre homens e mulheres. Penso que todos devemos treinar para sermos cada vez melhores no nosso instrumento, cumprir horários e sermos respeitadores. Acho que são os três aspectos que mais valorizo nas pessoas com quem trabalho. Sinceramente, cada vez sinto menos discriminação. Acho que o pessoal já percebeu que as mulheres são tão ou mais capazes de fazer boa música e cantar/tocar bem e com atitude. O resto são gostos pessoais. 

Assumindo que tens crises existenciais, como fazes para superá-las
Claro, isto não é fácil e as dúvidas são rápidas a tomar conta das emoções, o que dá excelente material de escrita de letras! Na maior parte das vezes, a minha forma de superar é focar-me nos meus objectivos, procurar perceber o que preciso mudar para ter melhores resultados e pôr mãos à obra. Outras vezes, é preciso primeiro desligar completamente por uns tempos, dar um passo atrás e só depois voltar à carga.

Fotografia: João Fitas

Fala-me do novo álbum de Blame Zeus, “Seethe”… Qual foi o teu contributo neste trabalho?
Este álbum, para mim, tem sido uma prova de fogo, e tem corrido muito bem. É um trabalho em que investimos tudo o que podíamos, tanto a nível financeiro como físico, emocional, tempo e empenho. O meu contributo musical foram as linhas de voz, tanto principal como secundárias, e as letras. A nível das letras, é uma obra muito pessoal e, por outro lado, muito libertadora. Digo o que tenho a dizer, sem papas na língua – podemos dizer que é até catártico. A gestão da banda também tem estado a meu cargo, em conjunto com a nossa editora Rockshots Records. 

Quais as melhores estratégias de divulgação de uma banda segundo a tua experiência?
A melhor de todas é tocar, tocar, tocar! Acho que hoje em dia, com tanta oferta de música, só te distingues verdadeiramente quando os fãs te vêem ao vivo. A memória de um bom concerto é meio caminho andado para, aos poucos, construíres uma base de fãs fiel, que apoia a banda, compra e comparece nos concertos seguintes. Claro que, na minha opinião, também é muito importante teres um álbum/EP gravado com boa qualidade de som e produção, teres uma boa imagem e design, e pelo menos um bom videoclip que mostre o que a banda tem para oferecer.

Por último, um pedido habitual é que me sugiras uma senhora nacional para vir à minha Teia em futuras entrevistas.
A minha sugestão é a Muffy, dos Karbonsoul.

“Seethe”, dos Blame Zeus, pode ser adquirido nesta ligação.