“Where the Word Acquires Eternity” está envolto em misticismo intelectual misturado com a mestria musical de se fazer bom black metal melódico, atmosférico e... Khors “Where the Word Acquires Eternity”

Editora: Ashen Dominion
Data de lançamento: 15.09.2020
Género: atmospheric/melodic black metal
Nota: 3.5/5

“Where the Word Acquires Eternity” está envolto em misticismo intelectual misturado com a mestria musical de se fazer bom black metal melódico, atmosférico e épico.

Ao lado de Drudkh, Khors é uma das bandas de culto do black metal ucraniano, e à excepção desta espera de cinco anos têm lançado álbuns consistentemente. Com uma fase inicial recheada de bons registos que cruzam ambientes black metal, atmosféricos e épicos, como “Cold” (2006), “Mysticism” (2008) e “Return to Abandoned” (2010), seguiram-se discos mais agressivos e densos que não caíram muito bem no goto da crítica. Porém, com o novo “Where the Word Acquires Eternity”, e sem Helg na formação, os ucranianos recuperam muito do que fizeram no início da carreira.

Inspirados num movimento literário residente em Kharkiv durante os anos 1920/1930 que fora posteriormente perseguido, resultando em exílio e morte, ao longo de 50 minutos os Khors voltam a incluir os teclados cintilantes, que fazem lembrar cenários gelados, e guitarras mais melódicas do que dissonantes, originando assim a tal recuperação do melhor que já fizeram. Assim, está claro que a banda não perdeu a noção do melhor que sabe fazer e oferece-nos oito faixas nutridas por leads e solos emotivos, bateria bastante proggy que faz uso de todas as peças com especificidade e uma voz sempre arrojada e furiosa.

Por outro lado, e tendo-se em conta o conceito, a sonoridade deste disco é menos bucólica do que anteriormente verificado, mas ainda assim são capazes de proporcionar momentos nostálgicos e melancólicos, indo-se ao encontro do exílio e da obrigatoriedade de se deixar a terra-natal para trás.

Cerca de 15 anos depois da fundação, e com experiências menos bem-conseguidas pelo meio, os Khors mostram que merecem o estatuto que têm com um “Where the Word Acquires Eternity” envolto em misticismo intelectual misturado com a mestria musical de se fazer bom black metal melódico, atmosférico e épico. Se qualquer dúvida existir, basta ouvir, ou voltar a ouvir, “Return to Abandoned” para sentirmos que o grupo ucraniano não perdeu o jeito com este “Where the Word Acquires Eternity”.