Entrevista a Evile. Evile: «Queremos voltar a ser uma força dominante do thrash!»
Foto: Karl Smith

Com o segundo álbum “Infected Nations”, de 2009, os Evile provaram aquilo que já tinham começado a demonstrar dois anos antes com a estreia “Enter the Grave”: uma força nova e altamente refrescante para toda a cena thrash metal. E não vinham da Bay Area de São Francisco, mas de Huddersfield na Inglaterra. Mais dois álbuns e desapareceram. De 2013 a Setembro de 2020 nunca mais se ouviu falar da banda que estava a mudar o thrash para sempre.

Tudo muda de figura agora em Abril de 2021, com os Evile a lançarem o tão aguardado novo álbum “Hell Unleashed”. E a razão de tanta euforia é que, para além de ser o término dum hiato que roça uma década, o disco continua a exibir uns Evile destemidos – e bem-humorados!

A Metal Hammer Portugal conversou com os quatro maldosos de Huddersfield – o regressado Ol Drake (guitarra e agora voz, substituindo o irmão Matt), o noviço de apenas 20 anos Adam Smith (guitarra), Joel Graham (baixo) e Ben Carter (bateria) – sobre dez tópicos que te farão ficar a conhecer melhor uns Evile que continuam a pretender ser uma força dominante no thrash metal.

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O primeiro álbum que comprei…
Ol: “NOW 32”. Era muito novo e só sabia da existência da pop. A maioria das canções são uma porcaria, mas tem a que mais gosto de U2 [“Hold Me, Thrill Me, Kiss Me, Kill Me”].
Joel: Uns compraram-me, outros foram roubados da colecção dos meus pais, mas o primeiro com o meu dinheiro foi o “Live After Death” dos Iron Maiden – porque a capa é incrível!
Adam: Tal como o Joel, mas penso que um dos primeiros álbuns que comprei com o meu dinheiro foi o “Iowa” dos Slipknot.
Ben: “And Justice for All…” [de Metallica]. Lembro-me de ir a uma loja de discos e comprar a cassete com o dinheiro do meu aniversário. Gastei a fita rapidamente! [risos]

A banda que me fez gostar de metal…
Ol: Metallica. O meu irmão Matt ouvia muito Metallica quando eu era mais novo, por isso foi através dele. Admito que ao início não percebia aquilo, não percebia por que é que as guitarras e a bateria eram barulhentas, e a garganta do vocalista parecia que tinha pregos nela. [risos]
Joel: Anthrax. Vi o vídeo da “Madhouse” num programa de metal que passava à noite e fiquei colado à linha “It’s time for your medication Mr. Brown. Who ah ah ah!”. É a minha banda favorita de thrash.
Adam: Metallica. Quando era mesmo novo, o meu pai mostrou-me o “Death Magnetic”. Deve ter saído por essa altura, por isso acho que foi aí que tudo começou para mim.
Ben: Como o Ol e o Adam. Metallica. Costumava ver a MTV para aí em 1992 e eles passavam o top 5 da Europa. Passava de manhã muito cedo, e o vídeo da “One” estava lá. Costumava abanar a cabeça ao som daquilo como um maluco, com o meu uniforme da escola vestido, e depois corria uma colina gigante acima para chegar à escola a tempo. Só saía de casa quando a música chegava mesmo ao fim! [risos]

O subgénero do metal que mais evoluiu…
Ol: Death metal. Desde o seu início humilde, com Possessed e Death, evoluiu para tantos ramos diferentes que agora já nem percebo nada. Dêem-me o velho e original death metal a qualquer dia.
Joel: Tenho de escolher progressive metal. O facto de teres Queensrÿsche, Gojira, Masterdon [Mastodon], Dream Theater, Tool e Opeth no mesmo subgénero diz tudo.
Ben: Diria que todos os subgéneros estão em constante evolução. Há demasiados a considerar e acho que as coisas deviam ser simplesmente contidas num grupo chamado metal. Talvez isso aliviasse algum elitismo e o trollanço dos subgéneros.

Os elogios sobre Evile ser um reinício refrescante para o thrash metal significam…
Ol: É uma honra fazer parte dum revivalismo do género quando aparecemos, mas somos uma banda desde 1999. Acho que já não somos refrescantes.
Joel: É porreiro. Mas acho que é preciso inventar-se um novo termo para nós e para bandas que começaram nessa altura. Já não somos refrescantes – somos mais maduros, temperados, tostadinhos…
Ben: Sempre nos sentimos muito humildes e orgulhosos por fazermos parte do thrash revival, mas após oito anos afastados estamos apenas satisfeitos por podermos lançar música nova e por podermos rebentar tudo outra vez.

Oito anos sem se lançar um álbum significa…
Ben:
…tortura. O novo álbum é a manifestação de oito anos de frustração e agressão reprimidas.
Ol: Hell……………… Unleashed!
Joel: Somos uma banda de thrash metal – devia ser mais rápido do que isto….

Ter o Ol de volta é…
Ben: …como pôr o motor dum Ferrari num Ford Mondeo. Continuamos a andar e a funcionar, mas agora podemos dar a velocidade máxima outra vez. [risos]
Joel: …muito porreiro. O Ol tem muita direcção e gosta que as coisas sejam feitas. Sentimos falta disso durante os anos em que ele esteve afastado a fazer as cenas dele. É bom haver entusiasmo por aquilo que fazemos, e o Ol é prova disso.

Brian Posehn é perfeito para Evile porque…
Ol: …adora Evile e metal. Já tinha feito vozes connosco na música “Cult” [do álbum “Five Serpent’s Teeth” de 2011]. Apenas lhe perguntámos se gostava de o fazer outra vez. Mas há alguma confusão: as pessoas pensam que ele está [na nova música “Gore”] a fazer um dueto ou assim. Só fez vozes de apoio e não pudemos incluí-lo no vídeo.
Joel: Sou fã do Brian – é um tipo engraçado. Gostei do álbum que ele fez, o “Grandpa Metal”, e ri-me imenso algumas vezes quando o ouvi pela primeira vez. A minha filha também adora ver “The Big Bang Theory” – portanto, quando lhe disse que o Bert [personagem da série] estava no álbum, ela quase parecia deslumbrada comigo.

A música favorita no novo álbum…
Ol: “The Thing (1982)”. É simplesmente uma música divertida de tocar e de ouvir. Estou ansioso por tocar aqueles riffs e ver o pessoal a ficar maluco.
Joel: Muda à medida que toco o álbum. Adoro tocar a malha groove da “Gore”. Mas a favorita depende do dia.
Adam: Tem de ser a “The Thing (1982) ou a “War of Attrition”. Muda todos os dias. [risos] São ambas incrivelmente rápidas e agressivas – o que adoro!
Ben: Tal como o Joel. As minhas escolhas mudam diariamente. Contudo, “The Thing (1982)”, “Disorder” e “Incarcerated” são músicas que, enquanto baterista, são muito divertidas de tocar e estou ansioso por ver o público a enlouquecer.

Evile significa…
Ol: …dominar a cena thrash. Acreditamos que fazemos um estilo de thrash que mais ninguém faz, e temos um álbum do caraças.
Joel: …oferecer uma forma de metal honesta, sem tretas e sem disfarces.
Ben: …honestidade e agressividade – thrash sem tretas.

Esperanças para o resto de 2021…
Ol: DAR O C*RALHO DUM CONCERTO! Estou a ficar maluco por não poder ensaiar ou tocar ao vivo.
Joel: Concertos e festivais. Mal posso esperar por tocar ao vivo novamente e por ver pessoas.
Adam: CONCERTOS, CONCERTOS, CONCERTOS! Tenho de voltar a dar concertos!
Ben: Lançar o novo álbum, poder voltar a tocar ao vivo e restabelecer Evile como uma força dominante do thrash!

“Hell Unleashed” tem data de lançamento a 30 de Abril de 2021 pela Napalm Records.